Sete Estatísticas Reveladoras sobre Tarifas nos EUA em 2025

As tarifas dominaram a cobertura mediática e as conversas no setor durante os primeiros sete meses de 2025. Eis sete estatísticas que contextualizam todas as restrições comerciais sem precedentes.

Sete Estatísticas Reveladoras sobre Tarifas nos EUA em 2025

Destaques do artigo:

  • Segundo o Yale Budget Lab, a 27 de julho a taxa média efetiva de tarifas sobre todas as importações dos EUA era de 18,2%. Este é o valor mais alto desde a primeira metade dos anos 1930, quando os EUA adotaram uma política comercial protecionista para proteger agricultores e empresas nacionais face à concorrência estrangeira após a Grande Depressão.
  • Os fabricantes automóveis, que dependem de cadeias de abastecimento globais extensas, com múltiplos níveis e centenas de fornecedores, estão a perder milhares de milhões de dólares com direitos aduaneiros e outras despesas relacionadas. 
  • A plataforma de gestão de risco na cadeia de abastecimento Z2Data oferece às organizações a visibilidade, especialização e monitorização em tempo real da cadeia de abastecimento necessárias para implementar várias estratégias e reduzir o impacto das tarifas.

Independentemente do prisma — geopolítico, económico ou da cadeia de abastecimento global —, a primeira metade de 2025 foi dominada por um só termo: tarifas. O presidente dos EUA, Trump, nunca escondeu a sua preferência por este instrumento comercial de longa data, tendo aplicado tarifas de forma agressiva durante o seu primeiro ano do segundo mandato. Inicialmente, Trump e a sua equipa de comércio, incluindo o secretário do Tesouro Scott Bessent e o conselheiro comercial da Casa Branca Peter Navarro, ambicionavam alcançar rapidamente acordos favoráveis com outros países. Em abril, a administração anunciou planos para negociar «90 acordos em 90 dias». Contudo, a realidade dos meses seguintes foi mais lenta e complexa. Apesar disso, um acordo importante com a União Europeia no final de julho demonstra a influência que os EUA continuam a exercer nestas negociações complexas e de grande impacto. 

Em seguida, destacam-se sete estatísticas que revelam diferentes perspetivas sobre o contexto comercial sem precedentes que o Presidente Trump e a sua administração criaram nos últimos seis meses. Estes números pretendem ilustrar os múltiplos efeitos das tarifas dos EUA em 2025, incluindo o seu impacto no comércio internacional, nos resultados das empresas norte-americanas e nos agregados familiares. 

1. 18,2%: Taxa Média Efetiva de Tarifa nos EUA

Segundo o Yale Budget Lab, a 27 de julho, a taxa média efetiva de tarifas sobre todas as importações dos EUA era de 18,2%. Este valor é o mais elevado desde a primeira metade dos anos 1930, quando os EUA adotaram políticas comerciais protecionistas para proteger agricultores e empresas locais contra a concorrência externa após a Grande Depressão. O Smooth-Hawley Tariff Act, aprovado em 1930, introduziu ou aumentou tarifas em mais de 20.000 bens importados. 

Fontes: Senado dos EUA; Yale Budget Lab

2. $100.000.000.000: Cobranças Aduaneiras dos EUA até junho

As receitas dos direitos aduaneiros do governo federal dos EUA ultrapassaram recentemente, pela primeira vez num só ano fiscal, os 100 mil milhões de dólares. O marco foi atingido em junho, tendo o Departamento do Tesouro relatado 27 mil milhões de dólares em direitos aduaneiros só nesse mês. Nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2025, iniciado em outubro, a receita total com direitos aduaneiros atingiu o máximo histórico de 113 mil milhões de dólares. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, manifestou o objetivo de alcançar 300 mil milhões em receitas relacionadas com tarifas em 2025. 

 Fontes: Reuters

3. $2.400: Custo Médio das Tarifas para Famílias Americanas

O Yale Budget Lab estima que o regime de tarifas da administração Trump custará aos lares norte-americanos, em média, 2.400 dólares até ao final de 2025. Este valor tem por base um aumento previsto dos preços ao consumidor de 1,8% num curto prazo. Embora este valor de inflação possa parecer moderado à primeira vista, quando aplicado à totalidade dos bens de consumo traduz-se num impacto financeiro significativo nos orçamentos das famílias. 

O Yale Budget Lab estima que o regime de tarifas da administração Trump custará aos lares norte-americanos, em média, 2.400 dólares até ao final de 2025.

Há que recordar que são, no fim de contas, as empresas e consumidores dos EUA quem suporta o custo acrescido das tarifas: os importadores norte-americanos pagaram — e, em certos casos, transferiram para os clientes — os 100 mil milhões de dólares cobrados pelo governo federal até junho. 

Fontes: Yale Budget Lab

4. 51%: Taxa de Tarifas dos EUA para Importações da China

Após semanas de uma guerra comercial volátil em que o Presidente Trump chegou a implementar uma tarifa coletiva de 145% sobre a maioria dos produtos chineses, as negociações comerciais entre EUA e China acalmaram as tensões e evitaram medidas retaliatórias. 

No final de julho, a tarifa média sobre importações chinesas rondava os 51%. Este valor inclui a tarifa global de base de 10% e uma tarifa «fentanil» de 20% imposta pela administração Trump como medida punitiva contra o governo chinês, acusado pela Casa Branca de «não ter tomado as medidas necessárias para travar o envio de precursores químicos para redes criminosas conhecidas e para acabar com o branqueamento de capitais por parte de organizações criminosas transnacionais». O restante 21% advém de várias tarifas setoriais, nomeadamente sobre alumínio, aço e semicondutores.

Fontes: CNBC; China Briefing; Casa Branca

5. $5.000.000.000: Perdas Financeiras Previstas da GM

As tarifas implementadas pela administração Trump afetaram fortemente a indústria automóvel. Os fabricantes automóveis, que dependem de cadeias de abastecimento globais complexas e de centenas de fornecedores, enfrentam perdas de milhares de milhões de dólares em direitos aduaneiros e despesas associadas. No final de julho, a General Motors comunicou perdas de 1,1 mil milhões de dólares nos lucros do segundo trimestre de 2025. Ainda mais preocupante, a GM prevê que as tarifas e outros obstáculos comerciais possam custar à empresa até 5 mil milhões de dólares até ao final do ano.

Outros fabricantes automóveis registaram efeitos semelhantes. A Stellantis, proprietária das marcas norte-americanas Chrysler, Jeep e Ram, reportou em julho perdas de 2,7 mil milhões de dólares na primeira metade do ano. O impacto financeiro derivou de vários fatores, alguns diretamente associados a medidas comerciais da administração Trump. Só em tarifas, a Stellantis enfrentou mais de 340 milhões de dólares, e o encerramento de fábricas devido a políticas comerciais dos EUA traduziu-se numa redução de 25% da quantidade total de veículos entregues no mercado norte-americano. 

Fontes: Reuters; New York Times

6. 12.600.000: Importação de Carga dos EUA em TEUs

Após o chamado «Dia da Libertação» da administração Trump, a 2 de abril, quando foram anunciadas tarifas historicamente elevadas sobre dezenas de países em todo o mundo, muitos previram uma forte desaceleração das importações para os EUA. A expetativa era que as empresas norte-americanas fossem levadas a reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, de modo a evitar custos aduaneiros elevados. 

Apesar de alguns meses negativos — nomeadamente um decréscimo expressivo em maio —, os portos norte-americanos continuaram a processar volumes estáveis de carga estrangeira. Segundo a National Retail Federation, nos primeiros seis meses de 2025, o volume total importado foi estimado em cerca de 12,6 milhões de TEUs (Twenty-Foot Equivalent Units — unidade de medida baseada no tamanho do contentor marítimo). Esta cifra representa um aumento de 4,5% face ao período homólogo de 2024 — um sinal surpreendente de resiliência comercial, pese embora o contexto de meses de receios, ameaças e implementação de tarifas.

Outro aspeto a salientar é a consistência nas importações dos EUA. Muitos importadores demonstram relutância em abandonar fabricantes estrangeiros, preferindo não recorrer a alternativas nacionais para os substituir. Os dados disponíveis — incluindo os referentes à carga importada — sugerem uma forte determinação das empresas norte-americanas em manter as cadeias de abastecimento atuais, mesmo que isso implique suportar elevados custos em tarifas. Até ao momento, há poucas provas de que a indústria dos EUA manifeste qualquer intenção de transferir significativamente a produção para território nacional, como pretendia a administração Trump quando instituiu o atual regime de tarifas. 

Grande parte dos dados — incluindo as estatísticas de carga importada — sugere que as empresas norte-americanas mantêm uma aposta firme nas cadeias de abastecimento existentes, mesmo perante custos tarifários elevados.

Fontes: National Retail Federation 

7. 1,8 Biliões de Dólares: Receita das Exportações da China em 2025

As tarifas sobre a China têm um impacto visível no volume de aprovisionamento das empresas norte-americanas junto do seu maior rival geopolítico. As importações oriundas da China em 2025 caíram quase 30% face a 2018 e simuladores de tarifas preveem que as importações chinesas para os EUA podem diminuir próximo de 500 mil milhões de dólares até 2027, caso a tendência se mantenha. Porém, a China encontra formas de compensar estas perdas nos negócios com os EUA. 

Nos primeiros seis meses do ano, as exportações chinesas cresceram mais de 7% face a 2024, atingindo quase 1,8 biliões de dólares. Isto deve-se ao facto de, apesar da perda de quota nos EUA, a China estar a aumentar significativamente as exportações para outras regiões. Só em junho — o mês disponível mais recente —, as exportações para o Sudeste Asiático aumentaram quase 17% em termos anuais. Também os envios para a União Europeia cresceram, registando um aumento de 7,6% face ao ano anterior. 

Embora as cadeias de abastecimento globais estejam a sofrer grandes reconfigurações, a China continua a afirmar-se como potência industrial, mantendo-se vital para os produtos que produzimos, transportamos e consumimos. 

Fontes: Yahoo; CNBC

Mitigar o Impacto das Tarifas com a Z2Data

O panorama do comércio internacional já não é o mesmo de há 18, 12 ou sequer 6 meses. Atualmente, as tarifas setoriais e específicas por país tornam as cadeias de abastecimento internacionais mais dinâmicas, menos previsíveis e mais difíceis de navegar para quem não tem informação adequada. Empresas norte-americanas que não dominam as estratégias de mitigação de risco ao seu dispor estão sujeitas a perdas significativas devido a tarifas e outros obstáculos comerciais emergentes. 

A plataforma de gestão de risco na cadeia de abastecimento da Z2Data oferece às organizações os dados e a visibilidade necessários para desenvolver e implementar medidas eficazes de gestão de risco. A Z2Data disponibiliza acesso a três bases de dados proprietárias, que abrangem mais de 1 milhar de milhão de componentes eletrónicos, 1 milhão de fornecedores e 200.000 unidades fabris em todo o mundo. Estas bases de dados, bem como os conhecimentos, a experiência e a monitorização em tempo real da cadeia de abastecimento que as complementam, permitem às empresas desenvolver um diversificado leque de estratégias para reduzir o impacto das tarifas:

  • Identificação de fontes alternativas, tanto nos EUA como a nível global.
  • Pesquisa de referencias cruzadas com base em requisitos de forma, função e compatibilidade.
  • Desenvolvimento e implementação de práticas de «tariff engineering».
  • Compilação dos dados necessários para elaborar um índice de exposição a tarifas.
  • Análise de sub-tier intelligence para identificar potenciais exposições tarifárias.

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