5 recomendações de um especialista em conformidade para construir uma framework ESG

Com o aumento das regulamentações ESG a nível mundial, as empresas têm atualmente mais responsabilidades de due diligence do que nunca. Eis cinco recomendações essenciais de um especialista em conformidade.

5 recomendações de um especialista em conformidade para construir uma framework ESG

Destaques do artigo:

  • Para perceber melhor como os fabricantes de equipamentos originais (OEM), importadores e outras empresas podem implementar um quadro ESG robusto e fiável na sua organização, entrevistámos Kelsey Dozier, especialista interna em conformidade da Z2Data.
  • Uma das formas mais eficazes de orientar uma empresa para um maior alinhamento ESG é incorporar princípios e prioridades de sustentabilidade em todas as fases de design, engenharia e fabrico ao longo do ciclo de vida do produto.
  • Várias empresas concentram-se apenas nas variáveis ESG totalmente sob o seu controlo—design do produto, processos de fabrico, consumo energético, práticas laborais internas. No entanto, a realidade é que muitos dos desafios de sustentabilidade surgem mais acima na cadeia de abastecimento, com fornecedores de segundo ou terceiro nível, sujeitos a muito menos supervisão. 
  • Devido aos requisitos que estes regulamentos e quadros de reporte implicam, incluindo dados de sustentabilidade, rastreabilidade na cadeia de abastecimento, trilhos de evidências, sourcing de minerais e políticas de proteção laboral, entre outras obrigações, a conformidade ESG exige estrutura e responsabilidade em toda a hierarquia da empresa. 

Embora tenha enfrentado alguma resistência ao longo do último ano, o ESG afirmou-se como uma prioridade relevante para as empresas nesta década. Se, por um lado, os Estados Unidos hesitam no avanço de regulamentos de sustentabilidade, como as normas de reporte climático da SEC, por outro, a União Europeia mantém o ritmo. No dia 1 de janeiro deste ano, o âmbito de aplicação da Diretiva de Reporte de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) foi ampliado para abranger grandes empresas em atividade no espaço económico europeu. Já a 30 de dezembro, entra em vigor o Regulamento Europeu da Deforestação (EUDR). 

Independentemente de administrações como a de Trump, empresas globais e respetivos executivos referem que as partes interessadas continuam a dar ênfase à importância do reporte de sustentabilidade. Aliás, um recente inquérito da PwC concluiu que mais de metade das empresas sentia mais pressão, já em 2025, para apresentar informação de sustentabilidade e dados associados, face ao ano anterior. Apenas sete por cento das organizações declarou uma diminuição dessa pressão. Mesmo com várias administrações mundiais a atribuir menor importância ao ESG e a adotar políticas de desregulação, estas diretrizes e os intervenientes defensores dos princípios ambientais, sociais e de governação continuam a ganhar força. 

Para perceber melhor como os OEM, importadores e outras empresas podem implementar um quadro ESG robusto e fiável na sua organização, entrevistámos Kelsey Dozier, especialista interna em conformidade da Z2Data. A Kelsey partilhou cinco recomendações fundamentais para desenvolver um programa de sustentabilidade eficaz.

O que é a Due Diligence ESG?

Antes de mergulhar nas recomendações da Kelsey, importa esclarecer o que significa «due diligence» no contexto do ESG. Segundo a SAP, a due diligence na cadeia de abastecimento é um «processo no qual uma empresa avalia e investiga potenciais fornecedores para identificar quaisquer riscos associados a essas entidades. Normalmente, estes riscos vão desde questões legislativas e de governação até preocupações éticas e ambientais». 

A due diligence na cadeia de abastecimento refere-se aos mecanismos que as empresas utilizam para avaliar os seus fornecedores diretos, fabricantes sub-tier e outros parceiros na cadeia de abastecimento, em busca de riscos. A due diligence ESG consiste no mesmo processo, mas sob o prisma do ESG. Por exemplo, quando um OEM norte-americano mapeia a sua cadeia de abastecimento para garantir que não obtém componentes de uma empresa proibida pelo Uyghur Forced Labor Prevention Act (UFLPA), está a realizar uma due diligence ESG. Por outro lado, quando uma organização calcula as emissões de scope 1 e 2 e submete esses dados ao Carbon Disclosure Project (CDP), está também a cumprir uma etapa de due diligence ESG. A due diligence ESG engloba todas as atividades levadas a cabo para assegurar o cumprimento dos pilares ambientais, sociais e de governação.

5 Recomendações para Construir um Quadro de Due Diligence ESG Eficaz

1. Integrar o ESG no Design do Produto

Para muitas empresas, as questões ESG são compartimentadas, em conjunto com outros requisitos de conformidade. Esta abordagem marginaliza o quadro ESG, em vez de o integrar plenamente nas operações. Porém, uma das formas mais eficazes de impulsionar o alinhamento ESG passa por incorporar os princípios e prioridades de sustentabilidade desde as fases de design, engenharia e fabrico do ciclo de vida do produto. «Pense na conformidade como construir uma casa: é muito mais fácil se a fundação estiver sólida», referiu Dozier. «Se os produtos forem concebidos desde o início tendo o ESG em conta, evitam-se dores de cabeça futuras.» 

A integração das preocupações ESG na fase de design pode assumir várias formas, incluindo, mas não se limitando a:

  • Evitar substâncias perigosas, como as proibidas por REACH e RoHS.
  • Cumprir as restrições de PFAS nas formulações dos produtos.
  • Considerar processos de reciclabilidade e circularidade.
  • Desenvolver estratégias para reduzir as emissões de carbono durante o fabrico. 

Um exemplo real citado por Dozier é o de empresas de eletrónica que estão a redesenhar produtos para utilizar mais metais reciclados, de modo a reduzir emissões e cumprir objetivos da economia circular. «Ao fazer isto logo desde o início, reduzem o risco de alterações de design dispendiosas quando surgirem regras mais rigorosas sobre o uso de materiais», explicou. 

2. Realizar Due Diligence ao Longo da Cadeia de Abastecimento

Várias empresas concentram-se apenas nas variáveis ESG totalmente sob o seu controlo—design do produto, processos de fabrico, consumo energético, práticas laborais internas. No entanto, a realidade é que muitos dos desafios de sustentabilidade surgem mais acima na cadeia de abastecimento, com fornecedores de segundo ou terceiro nível, sujeitos a muito menos supervisão. Na verdade, a maioria dos problemas ESG não ocorre na sua empresa, mas sim na cadeia de abastecimento», referiu Dozier. «É aí que se encontram riscos como trabalho forçado, deflorestação, minerais de conflito ou grandes pegadas de carbono.»

Na verdade, a maioria dos problemas ESG não ocorre na sua empresa, mas sim na cadeia de abastecimento», referiu Dozier.

Para mitigar estes riscos ESG, os OEM precisam de visibilidade clara sobre os fornecedores diretos e sub-tier. Idealmente, deveriam conseguir analisar as matérias-primas utilizadas, os fornecedores de nível 2 e 3 e as condições nas respetivas unidades fabris. Um dos exemplos referidos por Dozier prende-se com o Regulamento Europeu da Deforestação (EUDR), que entra em vigor ainda este ano e vai exigir que as empresas abrangidas rastreiem matérias-primas como madeira, borracha e óleo de palma até à origem, para provar que não provêm de áreas desflorestadas. Seja pelo EUDR, pela CSRD ou pela CSDDD, as obrigações ESG e a due diligence na cadeia de abastecimento estão cada vez mais interligadas. «A transparência é tudo nestes novos regulamentos», sublinhou. 

3. Normalizar os Dados

Pode não ser o aspeto que surge imediatamente associado à sustentabilidade, mas os dados são essenciais para a conformidade ESG. Muitos dos principais regulamentos ESG a nível mundial exigem submissão de dados por parte das empresas abrangidas, e até o reporte de sustentabilidade voluntário (incluindo os administrados pelo International Sustainability Standards Board, ou ISSB) envolve sempre uma componente relevante de dados. «Os dados são a essência da conformidade ESG», afirmou Dozier. Os requisitos de dados para a conformidade ESG incluem frequentemente:

  • Formulações de produtos
  • Emissões de scope 1, 2 e 3
  • Documentação da cadeia de custódia
  • Documentos de rastreabilidade e materiais
  • Certificados de conformidade e declarações de conformidade
  • Certificados de minerais responsáveis
  • Políticas laborais dos fornecedores

Para cumprir eficazmente todos os novos requisitos e normas, as organizações devem adotar métodos consistentes e normalizados de recolha de dados, bem como dispor de um repositório acessível para o seu armazenamento. Adicionalmente, a utilização de uma plataforma digital pode facilitar substancialmente a monitorização de toda a informação e documentação frequentemente exigida para a conformidade. «O software ajuda imenso ao manter históricos de versões, construir trilhos de auditoria e evitar que a informação fique dispersa em folhas de cálculo que ninguém atualiza», explicou. 

«O software ajuda imenso ao manter históricos de versões, construir trilhos de auditoria e evitar que a informação fique dispersa em folhas de cálculo que ninguém atualiza», explicou. 

4. Antecipar as Alterações Regulatórias

Nenhuma empresa pode—nem deve—esperar cumprir a due diligence ESG de uma só vez e dar o processo por encerrado. Os regulamentos de sustentabilidade evoluem de ano para ano, por vezes até mensalmente, e as organizações devem estar preparadas para implementar novas exigências de conformidade na sua operação de forma regular. «As regras ESG estão a avançar rapidamente: eliminações de PFAS, regras mais rigorosas de recolha de embalagens, divulgação obrigatória de emissões de carbono», apontou Dozier. «A verdade é que, qualquer área que se imagine, alguém está provavelmente a escrever um novo regulamento.» 

Este dinamismo no setor ESG exige que as empresas adotem uma abordagem ágil e proativa. Uma das melhores práticas é desenvolver e implementar um sistema para acompanhar as alterações regulatórias e responder de forma atempada. Este sistema interno pode assumir inúmeros formatos—desde que mantenha a monitorização fiável do panorama regulatório e conceda o prazo necessário para garantir a conformidade. «Pode ser alguém na sua equipa responsável pela conformidade, uma assinatura de uma fonte informativa de confiança ou software que faça o acompanhamento por si», referiu. 

A alternativa—esperar até ao último momento, quando uma nova regulamentação ESG está prestes a entrar em vigor, para montar uma resposta—é arriscada. «Se esperar até que a lei já esteja em vigor para reagir, já chegou tarde.»

5. Integrar a Conformidade ESG na Governação Interna

Uma ideia transversal destacada por Dozier é que a conformidade ESG não deve ser marginalizada nem atribuída como «projeto paralelo» de um colaborador. Face à multiplicidade de requisitos destes regulamentos e quadros de reporte—dados de sustentabilidade, rastreabilidade na cadeia de abastecimento, trilhos de evidências, sourcing de minerais e políticas de proteção laboral—, a conformidade ESG exige estrutura e responsabilidade em toda a hierarquia da empresa. Uma forma de o conseguir é incorporando objetivos ESG em departamentos como aprovisionamento, engenharia e conformidade, tornando os objetivos de sustentabilidade parte dos processos regulares. «Desta forma, não é apenas um “problema do departamento de conformidade”, mas passa a estar integrado no funcionamento do negócio», salientou. 

Igualmente fundamental é garantir o apoio da liderança ao quadro ESG e a responsabilização das várias equipas. «Quando a gestão apoia o processo, é mais fácil obter recursos para auditorias aos fornecedores, novas ferramentas de conformidade ou programas de formação», explicou. Em última análise, ao integrar as prioridades ESG na estrutura interna da empresa, capacitam-se as equipas para concretizar as restantes recomendações. «A governação é a cola que impede que os outros quatro pontos se desmoronem.»

Deixe a Z2Data Liderar a Due Diligence ESG da sua Empresa

Entre o crescimento das exigências regulamentares ESG, as expectativas em evolução das partes interessadas e o risco reputacional inerente ao incumprimento da sustentabilidade, as empresas têm fortes incentivos para alcançar a conformidade ESG. E, como demonstra o inquérito da PwC, até mudanças pontuais no poder político têm um impacto surpreendentemente pequeno nestas tendências. Organizações que pretendam adotar as recomendações de Dozier, incluindo a realização de due diligence, normalização de dados internos e monitorização contínua das alterações regulatórias, devem considerar a utilização de uma plataforma de gestão do risco na cadeia de abastecimento (SCRM). 

A solução SCRM Z2Data oferece um conjunto abrangente de funcionalidades de conformidade, incluindo:

  • Campanhas de due diligence a fornecedores
  • Análise de risco imediata
  • Normalização de dados 
  • Análise FMD
  • Validação de dados

Com novos regulamentos a entrar em vigor todos os anos e as partes interessadas a continuar a pressionar as empresas para darem prioridade ao ESG, as organizações com recursos de conformidade de referência terão vantagem competitiva nos próximos anos. Para saber mais sobre a solução de conformidade e sustentabilidade da Z2Data, agende um teste gratuito com um dos nossos especialistas de produto.