Destaques do artigo:
- Para entender melhor como fabricantes de equipamentos originais (OEMs), importadores e outras empresas podem implementar uma estrutura ESG robusta e confiável em sua organização, conversamos com Kelsey Dozier, especialista interna de compliance da Z2Data.
- Uma das formas mais eficazes de direcionar a empresa para um maior alinhamento com ESG é incorporar princípios e prioridades de sustentabilidade em todas as etapas de design, engenharia e produção ao longo do ciclo de vida do produto.
- Muitas empresas concentram-se apenas nas variáveis ESG que estão totalmente sob seu controle — design do produto, processos de fabricação, uso de energia, práticas trabalhistas internas. Mas, na prática, grande parte dos desafios de sustentabilidade enfrentados pelas organizações ocorre em níveis acima de sua cadeia de suprimentos, com fornecedores de segundo ou terceiro nível, que contam com muito menos supervisão.
- Devido às exigências dessas regulamentações e frameworks de reporte, como dados de sustentabilidade, rastreabilidade da cadeia de suprimentos, trilhas de evidências, fornecimento de minerais e políticas de proteção aos trabalhadores, entre outras obrigações, a conformidade ESG requer estrutura e responsabilidade em toda a hierarquia da empresa.
Apesar de enfrentar certa resistência no último ano, a agenda ESG consolidou-se como prioridade relevante para empresas nesta década. Enquanto os EUA hesitam em regulamentações de sustentabilidade como as regras de reporte climático da SEC (climate reporting rules), a União Europeia segue avançando rapidamente. Em 1º de janeiro deste ano, ampliou o escopo da Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), abrangendo grandes empresas que atuam no bloco econômico. Já em 30 de dezembro, entra oficialmente em vigor o Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR).
Independentemente do governo Trump, empresas globais e seus executivos afirmam que seus stakeholders continuam reforçando a importância do reporte de sustentabilidade. De fato, uma pesquisa recente da PwC apontou que mais da metade das empresas abordadas percebem pressão maior em 2025 para apresentar relatórios e dados relacionados à sustentabilidade do que no ano anterior. Apenas sete por cento relataram diminuição dessa pressão. Mesmo com diferentes governos pelo mundo minimizando a pauta ESG e adotando medidas mais desregulamentadoras, essas diretrizes e a defesa dos pilares ambiental, social e de governança seguem em alta.
Para entender melhor como OEMs, importadores e outras empresas podem implementar uma estrutura ESG robusta e confiável, conversamos com Kelsey Dozier, especialista interna de compliance da Z2Data. Kelsey apresentou cinco recomendações fundamentais para estruturar um programa de sustentabilidade eficaz.
O que significa diligência prévia (due diligence) em ESG?
Antes de abordar as recomendações de Kelsey, vale definir o que entendemos por diligência prévia (due diligence) em ESG. Segundo a SAP, a diligência prévia na cadeia de suprimentos é um “processo em que a empresa pesquisa e investiga fornecedores potenciais para identificar riscos relacionados a esses negócios. Normalmente, esses riscos vão desde questões legais e de governança até preocupações éticas e ambientais.”
A diligência prévia na cadeia de suprimentos abrange ações para avaliar fornecedores diretos, subfornecedores e outros parceiros ao longo da cadeia para identificar riscos. A diligência prévia ESG segue o mesmo processo, mas com foco específico nos critérios de ESG. Por exemplo, quando um OEM dos EUA mapeia sua cadeia de suprimentos para garantir que não está adquirindo componentes de uma empresa proibida pelo Uyghur Forced Labor Prevention Act (UFLPA), está realizando uma forma de diligência prévia ESG. Da mesma forma, uma organização faz due diligence ESG ao calcular suas emissões de escopo 1 e 2 e enviar os dados ao Carbon Disclosure Project (CDP). Assim, a diligência prévia ESG engloba todas as atividades práticas para aderir aos pilares ambiental, social e de governança.
5 recomendações para estruturar um framework eficaz de diligência prévia ESG
1. Incorpore ESG ao design do produto
Em muitas empresas, os critérios ESG são tratados como tópicos paralelos a outras questões de compliance. Essa abordagem limita o alcance do framework, dificultando sua integração às operações do dia a dia. Uma das formas mais eficazes de impulsionar o alinhamento ESG é incorporar princípios e prioridades de sustentabilidade já nas etapas de design, engenharia e fabricação dos produtos. “Pense em compliance como construir uma casa: é muito mais fácil quando a fundação é sólida”, afirma Dozier. “Se você projeta seus produtos considerando ESG desde o primeiro dia, evita muitos problemas no futuro.”
Incorporar questões ESG na fase de design pode envolver, por exemplo:
- Evitar substâncias perigosas como aquelas proibidas por REACH e RoHS.
- Observar restrições de PFAS na formulação dos produtos.
- Desenvolver processos para reciclagem e circularidade.
- Planejar formas de reduzir as emissões de carbono no processo de fabricação.
Um exemplo real citado por Dozier é a reformulação de produtos eletrônicos para utilização de mais metais reciclados, a fim de reduzir emissões e atender metas de economia circular. “Ao fazer isso antecipadamente, essas empresas minimizam o risco e o custo de ter que redesenhar produtos para atender regras cada vez mais rigorosas de uso de materiais”, afirma.
2. Faça diligência prévia em toda a sua cadeia de suprimentos
Muitas empresas se concentram apenas nas variáveis ESG sob seu controle direto — design do produto, processos de fabricação, uso de energia, práticas trabalhistas internas. Mas, na prática, grande parte dos desafios de sustentabilidade enfrentados ocorre em níveis superiores da cadeia de suprimentos, com fornecedores de segundo e terceiro nível, que contam com supervisão limitada. “Sinceramente, a maioria dos problemas de ESG não acontece dentro da sua empresa, mas na sua cadeia de suprimentos”, afirma Dozier. “É aí que surgem riscos como trabalho forçado, desmatamento, minerais de conflito ou pegadas gigantes de carbono.”
“Sinceramente, a maioria dos problemas de ESG não acontece dentro da sua empresa, mas na sua cadeia de suprimentos”, afirma Dozier.
Para mitigar esses riscos ESG, OEMs precisam de forte visibilidade sobre seus fornecedores diretos e subfornecedores. O ideal é conseguir rastrear matérias-primas desde sua origem, conhecer fornecedores de níveis 2 e 3 e as condições nos locais de produção desses fornecedores. Um exemplo citado por Dozier é o Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR), que entrará em vigor no final deste ano e exigirá que as empresas abrangidas rastreiem commodities como madeira, borracha e óleo de palma até a origem, comprovando que não provêm de áreas desmatadas. Seja com EUDR, CSRD ou CSDDD, as obrigações ESG e a diligência prévia na cadeia de suprimentos estão cada vez mais conectadas. “Transparência é tudo nessas novas regulamentações”, diz ela.
3. Padronize os dados
Talvez não seja a primeira coisa que vem à mente quando se pensa em sustentabilidade, mas os dados são essenciais para a conformidade ESG. Grandes regulamentações globais de ESG exigem envio regular de dados das empresas abrangidas, e até mesmo relatórios voluntários de sustentabilidade (incluindo os administrados pelo International Sustainability Standards Board, ISSB) costumam trazer forte ênfase em dados. “Dados são a essência da conformidade ESG”, comenta Dozier. Os requisitos costumam incluir, entre outros:
- Formulações dos produtos
- Emissões de escopo 1, 2 e 3
- Documentação de cadeia de custódia
- Papéis e materiais de rastreabilidade
- Certificados de conformidade e declarações
- Certificados de minerais responsáveis
- Políticas trabalhistas dos fornecedores
Para cumprir de forma eficaz todas as normas e regulamentações emergentes, as organizações precisam de métodos consistentes e padronizados para coletar dados, além de um repositório acessível para armazená-los. O uso de uma plataforma digital pode ajudar muito o acompanhamento de informações e documentos exigidos para a conformidade. “Software facilita muito ao manter históricos de versões, construir trilhas de auditoria e garantir que as informações não fiquem espalhadas em planilhas que ninguém lembra de atualizar”, relata.
“Software facilita muito ao manter históricos de versões, construir trilhas de auditoria e garantir que as informações não fiquem espalhadas em planilhas que ninguém lembra de atualizar”, relata.
4. Antecipe-se às mudanças regulatórias
Empresas não podem — e não devem — esperar que seja possível realizar uma única diligência prévia ESG e considerar concluídas todas as obrigações de compliance. As regras de sustentabilidade evoluem ano a ano, e às vezes mês a mês; as organizações precisam estar preparadas para adicionar novas exigências de compliance rotineiramente. “As regras de ESG estão mudando rápido: retirada de PFAS, normas mais rígidas de logística reversa de embalagens, divulgação obrigatória de carbono”, comenta Dozier. “Se você pensar, provavelmente alguém já está redigindo essa exigência em algum lugar.”
Esse dinamismo do cenário ESG exige que as empresas sejam ágeis e proativas. Uma das melhores formas de acompanhar é implementar um sistema para monitorar alterações regulatórias e responder a elas rapidamente. Tal sistema interno pode assumir formas diversas — o importante é garantir rastreamento consistente das alterações e tempo de reação suficiente para garantir a conformidade. “Pode ser uma pessoa dedicada na sua equipe, uma assinatura de fonte de notícias especializada ou um software que faça esse acompanhamento pra você”, ela explica.
A alternativa — esperar uma nova norma ESG entrar em vigor para só então agir — é um grande risco. “Se você esperar até a nova lei já estar em vigor para reagir, já é tarde demais.”
5. Faça da conformidade ESG parte da governança interna
Um ponto-chave destacado por Dozier é que a conformidade ESG não pode ser colocada de lado ou tratada como “projeto paralelo” de apenas um colaborador. Devido às exigências dessas regulamentações e frameworks, como dados de sustentabilidade, rastreabilidade da cadeia de suprimentos, trilhas de evidências, fornecimento responsável de minerais e políticas de proteção do trabalhador, a conformidade ESG precisa de estrutura e responsabilidade em todos os níveis organizacionais. Uma abordagem prática é incorporar metas de ESG em departamentos como compras, engenharia e compliance, onde as metas de sustentabilidade passam a fazer parte dos processos regulares. “Assim, não vira só ‘problema do compliance’, mas passa a ser parte do funcionamento do negócio”, diz.
Também é fundamental que a liderança apoie o framework ESG da empresa e cobre resultados das equipes. “Quando a diretoria encampa a pauta, é mais fácil conseguir recursos para auditorias de fornecedores, novas ferramentas de compliance ou programas de treinamento”, diz Dozier. No fim, internalizar as prioridades ESG na estrutura da empresa empodera colaboradores para avançar nas demais etapas. “Pense na governança como a cola que impede que os outros quatro pontos se desfaçam.”
Deixe a Z2Data liderar sua diligência prévia ESG
Entre o crescente cenário de regulamentações ESG, expectativas de stakeholders em evolução e riscos reputacionais ligados à falta de sustentabilidade, as empresas têm fortes incentivos para buscar a conformidade ESG. Como a pesquisa da PwC demonstra, mudanças temporárias de governo têm impacto surpreendentemente pequeno nessas tendências. Organizações que desejam seguir as orientações de Dozier, incluindo a realização de due diligence, padronização interna de dados e monitoramento contínuo das mudanças regulatórias, devem considerar a utilização de uma plataforma de gestão de risco na cadeia de suprimentos (SCRM).
A solução SCRM da Z2Data oferece um conjunto abrangente de recursos de compliance, incluindo:
- Campanhas de diligência prévia com fornecedores
- Análises de risco prontas para uso
- Normalização de dados
- Análise FMD
- Validação de dados
Com novas regulamentações entrando em vigor a cada ano e stakeholders pressionando as empresas a priorizarem ESG, companhias com recursos avançados de compliance manterão uma vantagem competitiva nos próximos anos. Para saber mais sobre a solução de conformidade e sustentabilidade da Z2Data, agende um teste gratuito com um de nossos especialistas em produtos.