Sourcing 3TG, regulamentações e due diligence para fabricantes
Minerais de conflito são metais e outros recursos extraídos e vendidos para financiar conflitos armados em andamento, violações de direitos humanos e outras formas de violência. Embora sejam provenientes de diversos países e regiões, da América do Sul ao Oriente Médio, a maioria é minerada na República Democrática do Congo (RDC) e em países vizinhos, como Angola, Ruanda e República Centro-Africana. Atualmente, minerais de conflito são amplamente reconhecidos pelo acrônimo "3TG", referente a tântalo, estanho, tungstênio e ouro. Esses quatro minerais são frequentemente extraídos na RDC e em outros países africanos da região, onde milícias armadas usam o lucro da mineração para financiar campanhas de violência e brutalidade contra civis. Além de financiar esses grupos, os minerais 3TG também estão associados ao trabalho forçado, trabalho infantil e impactos ambientais significativos na região. Nas últimas décadas, governos, ONGs e associações industriais vêm promovendo esforços sérios para combater a presença de minerais de conflito nas cadeias globais de suprimentos. Leis como o Dodd-Frank Act dos EUA e o Regulamento Europeu de Minerais de Conflito promovem práticas responsáveis de sourcing ao exigir due diligence dos importadores e o cumprimento de requisitos específicos de reporte.
Em 2017, a União Europeia aprovou uma nova lei para minerais de conflito. Segundo a Comissão Europeia, o Regulamento de Minerais de Conflito da UE visa impedir que esses recursos sejam exportados para a UE, proíbe fundições e refinarias da UE de usar minerais extraídos de zonas de conflito, e busca evitar o abuso e a exploração dos trabalhadores de minas nessas regiões. O regulamento entrou em vigor em 1º de janeiro de 2021. Ele exige que importadores europeus de tântalo, estanho, tungstênio e ouro cumpram requisitos específicos de due diligence para que o sourcing desses minerais não perpetue a violência e a exploração em regiões de risco. Para isso, os importadores devem seguir o framework de cinco etapas definido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no documento "Due Diligence Guidance for Responsible Supply Chains from Conflict-Affected and High-Risk Areas".
Os Estados Unidos regulam minerais de conflito pela Seção 1502 da Lei Dodd-Frank de 2010 (Wall Street Reform and Consumer Act). Também conhecida como Regra de Minerais de Conflito, a Seção 1502 exige que empresas enquadradas realizem uma série de medidas de due diligence, incluindo investigação razoável do país de origem (RCOI) para identificar se algum mineral 3TG presente nos produtos tem origem na RDC ou em áreas de conflito vizinhas, bem como o envio de um relatório de minerais de conflito para a Securities and Exchange Commission. Caso a RCOI confirme minério proveniente da RDC ou países vizinhos, a empresa deverá determinar a fonte original da matéria-prima e rastrear toda sua cadeia de custódia. Empresas que não cumprirem a Regra de Minerais de Conflito podem estar sujeitas a sanções pela SEC, como multas, penalidades e outras repercussões legais.
Embora diversos outros países tenham estabelecido diretrizes para o fornecimento responsável de minerais 3TG e a manutenção de cadeias éticas de suprimentos, essas diretrizes normalmente não são obrigatórias. A China, por exemplo, lançou as Due Diligence Guidelines for Responsible Mineral Supply Chains em 2015 como framework para empresas que desejam mitigar riscos e se alinhar a padrões globais. Outros países, como Canadá, Austrália e Japão, adotaram orientações semelhantes para promover o sourcing responsável baseado em due diligence abrangente. A tabela abaixo resume como os principais regimes se comparam.
| País / Região | Lei / Estrutura | Principais Requisitos |
|---|---|---|
| Estados Unidos | Dodd-Frank Seção 1502 (2010) | Obrigatória para empresas enquadradas: RCOI sobre 3TG, due diligence e relatório de minerais de conflito junto à SEC |
| União Europeia | Regulamento de Minerais de Conflito (2017) | Obrigatória para importadores europeus de 3TG; due diligence de cinco etapas da OCDE, auditoria externa e reportes anuais pelo portal europeu. Em vigor desde 1º de janeiro de 2021 |
| China | Due Diligence Guidelines (2015) | Framework não obrigatório, auxilia empresas a mitigar riscos de sourcing e alinhar-se aos padrões globais |
| Canadá | Orientação alinhada à OCDE | Não obrigatório; promove sourcing responsável baseado em due diligence abrangente |
| Austrália | Orientação alinhada à OCDE | Não obrigatório; promove sourcing responsável baseado em due diligence abrangente |
| Japão | Orientação alinhada à OCDE | Não obrigatório; promove sourcing responsável baseado em due diligence abrangente |
Devido às propriedades vantajosas, como alta condutividade e grande resistência ao calor, os minerais 3TG são amplamente utilizados na fabricação de componentes eletrônicos. Os quatro principais minerais de conflito estão presentes em alguns dos componentes mais críticos da eletrônica, incluindo itens que compõem desde computadores e smartphones até eletrodomésticos e equipamentos médicos. O estanho, por exemplo, é utilizado na produção de resistores e baterias recarregáveis, enquanto o tungstênio é um material fundamental em transistores, diodos e certos tipos de microprocessadores. Já o tântalo pode ser encontrado em componentes que vão de capacitores a indutores e chips de memória. Enquanto muitos fabricantes de eletrônicos são legalmente obrigados a seguir o Regulamento de Minerais de Conflito da União Europeia ou a Seção 1502 do Dodd-Frank Act, outros adotaram voluntariamente a Orientação de Due Diligence da OCDE para Cadeias de Suprimentos Responsáveis de Minerais Originados em Áreas de Conflito e de Alto Risco.
Desde sua fundação em 2008, a Responsible Minerals Initiative (RMI) tem orientado empresas para o fornecimento legal e ético de minerais por meio de documentos instrutivos, avaliações de terceiros e outros recursos. Uma das ferramentas mais populares da organização é o Conflict Minerals Reporting Template (CMRT), um modelo padronizado que importadores podem usar para organizar e divulgar informações de fornecimento para órgãos governamentais e outras partes interessadas. Em outubro de 2024, a RMI lançou o Additional Minerals Reporting Template (AMRT), uma versão mais personalizável do CMRT, permitindo que as empresas utilizem os campos do template para minerais além dos 3TG. Além disso, a RMI planeja lançar uma nova versão do Extended Minerals Reporting Template (EMRT) em abril de 2025, que irá abranger quatro novos minerais: cobre, grafite, lítio e níquel. Em resposta às novas exigências do Regulamento de Baterias da União Europeia, a versão futura do EMRT também contará com uma aba para inclusão de detalhes sobre instalações de extração em nível de mina.
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