O aumento dos custos de materiais, energia, transporte e mão de obra está elevando o preço dos semicondutores e intensificando a pressão sobre o setor de semicondutores.
Recentemente, Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), United Microelectronics Corp. (UMC) e Samsung notificaram seus clientes sobre futuros aumentos de preços devido a preocupações com a inflação, altas taxas de juros e elevação dos custos de matérias-primas e energia.
Também anunciaram reajustes de preços Qualcomm, Broadcom, Texas Instruments (TI), Marvell e Intel, todos comunicando aumentos aos seus clientes devido ao aumento da volatilidade econômica e dos custos de commodities.
A Intel anunciou esse reajuste em meio ao aumento da inflação nos EUA e em todo o mundo. Os EUA registraram uma elevação de 9,1% nos preços ao consumidor em junho, um recorde de 40 anos. Segundo a Intel, os aumentos de preços são necessários devido ao aumento nos custos de produção e materiais — que, em alguns casos, podem superar 20%.
O fornecedor japonês de produtos químicos Showa Denko K.K. disse à Bloomberg News, em entrevista, que cortará linhas de produtos pouco rentáveis e aumentará preços devido aos vários desafios econômicos enfrentados pela indústria de semicondutores, como o aumento acentuado do custo de energia decorrente da guerra na Ucrânia e a forte desvalorização do iene. Acrescentou que a situação dificilmente terá uma melhora significativa antes de 2023.
O fornecimento de matérias-primas já era uma preocupação para os fabricantes de semicondutores antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. A situação se intensificou após o início da guerra devido à dependência do setor de matérias-primas críticas provenientes da Rússia e da Ucrânia.
A Ucrânia fornece 70% do gás neônio de grau semicondutor do mundo, um insumo químico utilizado em lasers para fabricação de chips. O país também fornece cerca de 40% do gás crípton usado em lasers KrF, igualmente utilizados na produção de semicondutores. Além disso, a Rússia é fonte de 35% do paládio utilizado nos EUA, metal empregado na fabricação de sensores e semicondutores de memória.
No mês passado, a Toyota alertou que o aumento dos custos das matérias-primas poderia reduzir seu lucro em até 20%, levando a elevações nos preços dos carros para além do valor dos semicondutores. Isso inclui o preço dos metais usados em baterias para veículos elétricos, que estão sendo significativamente impactados pelo aumento dos custos do lítio, cobalto e níquel.
O custo dos metais pode comprometer os esforços para a transição do mercado automotivo de veículos a combustíveis fósseis para modelos eletrificados, afirmou Alice Yu, analista sênior da S&P Global, empresa de pesquisa de mercado.
Na previsão do segundo trimestre, a IC Insights reduziu a estimativa do volume total de vendas em optoeletrônicos, sensores, atuadores e semicondutores discretos, que representam cerca de 17% da receita global do setor de semicondutores.
No entanto, eles afirmam que a queda nas vendas de optoeletrônicos será compensada pelo aumento nas vendas de semicondutores discretos. Esse crescimento é atribuído principalmente ao aumento dos preços e à restrição de oferta de transistores de potência e díodos.
Reajustes de preços não são novidade no setor: no ano passado, TSMC e diversos outros fabricantes já haviam anunciado aumentos, e agora novas altas são esperadas para 2023. O que mudou é o ritmo dessas elevações, provocado pelo aumento do custo operacional, inflação, custo maior de energia, suprimentos e mão de obra, além do momento dos reajustes, trazendo ainda mais volatilidade para o gerenciamento da cadeia de suprimentos eletrônicos.
A escassez de mercado nos últimos anos expôs as complexidades e vulnerabilidades da cadeia de suprimentos eletrônicos, tornando o processo de gestão e compras ainda mais desafiador para semicondutores e eletrônicos.
Lockdowns contínuos por COVID-19 na China, problemas climáticos, instabilidade geopolítica, aquecimento global, aumento dos custos de matérias-primas e do cenário econômico global continuam a contribuir para a imprevisibilidade do setor de semicondutores.
Já que a volatilidade de mercado passou a ser o novo normal, a agilidade na cadeia de suprimentos e no processo de compras se tornou indispensável. Compras ágeis exigem uma tomada de decisão estratégica e operacional. Para se tornar verdadeiramente ágil, sua empresa precisa incorporar agilidade na cadeia de suprimentos e no processo de compras visando o sucesso e a continuidade dos negócios.
Para implantar agilidade operacional, o ideal é buscar e antecipar as incertezas, em vez de apenas reagir ao ambiente atual.
Isso significa:
- Ter visibilidade sobre sua cadeia de suprimentos, compreender os riscos e os possíveis fatores de interrupção.
- Acessar dados e receber alertas em tempo real sobre mudanças de estoque dos fornecedores, alterações de produtos e obsolescência de componentes.
- Ter acesso a dados de mercado, disponibilidade e preços.
- Receber dados e alertas sobre eventos que possam impactar sua cadeia de suprimentos ou as operações dos seus fornecedores. Desastres regionais, mudanças em políticas de comércio internacional e escassez de matérias-primas são fatores que também podem afetar a capacidade do fornecedor em cumprir suas obrigações.
- Contar com opções alternativas de fornecedores e fornecimento.
- Ter opções alternativas de sourcing de componentes.
- Compreender o histórico corporativo do fornecedor e identificar fatores de risco, como ocorrências de atrasos em entregas, saúde financeira, fusões, localização geográfica e relações/dependências com subfornecedores.
Construir uma cadeia de suprimentos e um processo de compras ágeis ajudará sua operação a ser mais flexível e responsiva nesse mercado em constante mudança.
Utilizar uma ferramenta de supply chain risk management (SCRM) pode ajudar a ampliar a visibilidade de ponta a ponta da sua cadeia de suprimentos, possibilitando a rápida adaptação e decisões mais inteligentes em compras e sourcing.