Quais são as principais empresas dos EUA no setor de semicondutores?

Os semicondutores estão posicionados para se tornar uma indústria trilionária até 2030. Quais são as maiores empresas dos EUA nesse setor global estratégico?

Quais são as principais empresas dos EUA no setor de semicondutores?

Destaques do artigo:

  • Resumo: Apesar de ter perdido espaço na fabricação de chips de front-end, os Estados Unidos continuam sendo o lar de algumas das maiores empresas de semicondutores do mundo, incluindo Nvidia, Broadcom e Intel. As recentes ações de política industrial do governo Trump apenas reforçam o quanto essas empresas são fundamentais para a economia dos EUA e para o posicionamento geopolítico do país. 
  • Após um crescimento constante nos primeiros anos da década de 2020, prevê-se que o mercado de semicondutores se transforme em uma indústria trilionária até 2030. 
  • Enquanto a produção de chips nos EUA tem diminuído nas últimas décadas e atualmente representa apenas 12% da oferta global, os EUA ainda lideram em design de chips, pesquisa e desenvolvimento e equipamentos de fabricação. 
  • Para quem acompanha o boom da IA nos últimos anos, não é surpresa que a Nvidia seja, hoje, a maior empresa de semicondutores dos EUA — e uma das empresas mais valiosas do planeta. 

Os semicondutores se tornaram tão essenciais na sociedade hiperconectada que, atualmente, há cerca de 100 bilhões deles em uso ativo — quase 19 para cada pessoa no mundo. 

Diante de sua crescente importância para dezenas de setores globais — e do uso cada vez mais estratégico para aplicações militares e de defesa —, não surpreende que o setor esteja passando por uma fase de rápida expansão. Depois de bater um recorde de faturamento global de mais de US$ 550 bilhões em 2021, o mercado deve registrar uma taxa composta de crescimento anual de acima de 6% ao ano até o fim da década. Segundo muitos especialistas, o setor está bem posicionado para atingir US$ 1 trilhão em 2030

Essa expansão acelerada ganhou ainda mais força com o CHIPS and Science Act, aprovado pelo governo Biden em 2022. Se antes os EUA eram um verdadeiro gigante na produção de chips — em 1990, empresas americanas fabricavam 37% dos semicondutores do mundo —, hoje o país representa apenas cerca de 12% da produção global (e nenhum dos chips mais avançados). Com US$ 53 bilhões em incentivos para empresas do setor que expandem operações em solo americano, a lei impulsionou uma onda de investimentos privados. Segundo a Semiconductor Industry Association (SIA), desde 2020, já foram mais de US$ 600 bilhões investidos privadamente na fabricação de chips nos EUA. 

Embora o atual governo Trump tenha criado obstáculos à implementação do CHIPS Act, permanece o interesse em acelerar a reindustrialização do setor de semicondutores no país. Prova disso foi a decisão do governo federal de adquirir uma participação de 10% na Intel, evidência clara da intenção de apoiar a indústria nacional e impulsionar seu crescimento. 

Quais são, então, as empresas de semicondutores líderes nos Estados Unidos? Veja a seguir as principais empresas americanas do setor, classificadas por receita.

Principais Empresas de Semicondutores nos EUA: Panorama Financeiro
EmpresaTipoReceita TTMLucro Líquido TTMValor de Mercado
NvidiaFablessUS$ 165 bilhões (TTM)US$ 86,6 bilhões (TTM)US$ 4,15 trilhões
BroadcomFablessUS$ 57 bilhões (TTM)US$ 13,2 bilhões (TTM)US$ 1,4 trilhão
IntelIntegrated Device Manufacturer (IDM)US$ 53 bilhões (TTM)-US$ 20,5 bilhões (TTM)US$ 107 bilhões
QualcommConglomeradoUS$ 43,2 bilhões (TTM)US$ 11,6 bilhõesUS$ 170 bilhões
Applied MaterialsChipmaking EquipmentUS$ 28 bilhões (TTM)US$ 6,8 bilhões (TTM)US$ 124,5 bilhões
Advanced Micro Devices (AMD)FablessUS$ 29,6 bilhões (TTM)US$ 2,7 bilhões (TTM)US$ 260 bilhões
Micron TechnologyIDMUS$ 34 bilhões (TTM)US$ 6,2 bilhões (TTM)US$ 133 bilhões
Texas InstrumentsIDMUS$ 16,7 bilhões (TTM)US$ 5 bilhões (TTM)US$ 177 bilhões
Lam ResearchChipmaking EquipmentUS$ 18,4 bilhões (TTM)US$ 5,3 bilhões (TTM)US$ 125 bilhões
Analog DevicesIDMUS$ 10,4 bilhões (TTM)US$ 1,96 bilhão (TTM)US$ 120 bilhões

1. Nvidia

  • Receita: US$ 165 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 86,6 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 4,15 trilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 26.000 funcionários
  • Sede: Santa Clara, CA
  • Fabricação nos EUA: Fabless
  • Range de Node de Produção: N/A

A empresa mais valiosa do mundo?

O crescimento vertiginoso da Nvidia no universo dos semicondutores tem sido impressionante. O faturamento TTM da empresa é mais de seis vezes maior que há apenas dois anos, em 2023. No trimestre mais recente, a receita chegou a incríveis US$ 47 bilhões — alta de mais de 50% em relação ao ano anterior — e analistas acreditam que a Nvidia pode, de fato, se tornar a empresa mais valiosa dos EUA. 

As GPUs da Nvidia são processadores potentes, ideais para IA generativa, grandes modelos de linguagem (LLM) e aprendizado de máquina. Dezenas de milhares de empresas que utilizam computação avançada e IA já fazem uso dos chips de ponta. Como a empresa adota o modelo fabless, terceirizando a fabricação de chips para outros fornecedores, a Nvidia não tem sido uma das principais beneficiadas pelo CHIPS Act. A líder global em design de chips, porém, fechou recentemente um acordo com o governo dos EUA para compartilhar 15% da receita de vendas de chips de IA para a China.

2. Broadcom Inc. 

  • Receita: US$ 57 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 13,2 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 1,4 trilhão
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 20.000 funcionários
  • Sede: Palo Alto, CA
  • Fabricação nos EUA: Fabless
  • Range de Node de Produção: N/A

A empresa fabless com clientes de alto perfil

Multinacional com sede no coração do Vale do Silício, a Broadcom atua principalmente como designer fabless, oferecendo um portfólio diversificado de semicondutores. Entre seus produtos estão CIs de switch ethernet, adaptadores de rede, controladores RAID e outros dispositivos utilizados por clientes de peso como IBM, Dell, Motorola e Nintendo. Em 2023, a Broadcom fechou um contrato bilionário com a Apple — de quem é fornecedora de longa data — para fornecimento de componentes de radiofrequência 5G, filtros film bulk acoustic resonator e dispositivos de conectividade sem fio para os produtos da Apple. 

A Broadcom também investiu para se consolidar como fornecedora de chips customizados, conhecidos como ASICs. A empresa fechou grandes acordos para fornecer circuitos integrados personalizados para Google e Meta, e analistas de mercado acreditam que esses contratos podem elevar a receita anual da Broadcom com ASICs para mais de US$ 9 bilhões.

3. Intel

  • Receita: US$ 53 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: -US$ 20,5 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 107 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 125.000 funcionários
  • Sede: Santa Clara, CA
  • Fabricação nos EUA: 12 fábricas
  • Range de Node de Produção: 7-65 nm 

Gigante americana de semicondutores enfrentando desafios

Fundada em 1968 para fabricar circuitos lógicos e chips de memória, a Intel se tornou uma das maiores empresas de semicondutores do mundo. Com mais de 100 mil funcionários e operações em 65 países, a empresa produz uma ampla gama de chips, incluindo GPUs, sistemas em chip (SoC) e memória flash. A linha de CPUs Intel Core, carro-chefe da companhia, é utilizada por Dell, Lenovo, HP e outros grandes clientes. 

Em março de 2024, a Intel recebeu um total de US$ 8,5 bilhões em subsídios — e mais US$ 11 bilhões em financiamentos — através do CHIPS Act. O plano é aplicar esses recursos na construção de duas novas fábricas em seu campus no Arizona e mais duas no Ohio, onde a empresa pretende criar um novo polo de fabricação, mesmo sem um ecossistema local de semicondutores. Os quatro novos sites produzirão nós avançados. 

A Intel, de Santa Clara, também se tornou parte da nova estratégia industrial do governo Trump. No final de agosto, tanto a empresa quanto o próprio presidente Trump anunciaram que o governo passaria a ter participação acionária na companhia; o acordo converteu subsídios em uma fatia de 10% das ações.

4. Qualcomm

  • Receita: US$ 43,2 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 11,6 bilhões 
  • Valor de Mercado: US$ 170 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 50.000 funcionários
  • Sede: San Diego, CA
  • Fabricação nos EUA: Fabless
  • Range de Node de Produção: N/A

Fabricante do Snapdragon amplia participação de mercado

Fundada em 1985 e sediada em San Diego, a Qualcomm é um dos poucos verdadeiros conglomerados desta lista. A empresa ganhou destaque desenvolvendo tecnologia de conectividade para celulares, mas diversificou o portfólio para englobar software para Internet das Coisas e fabricação de semicondutores. Desde os anos 2000, a Qualcomm segue majoritariamente o modelo fabless, terceirizando a produção para empresas como GlobalFoundries, Samsung Electronics e Amkor Technology. 

Entre os chips mais populares estão os processadores Snapdragon, poderosos sistemas em chip (SoC) presentes desde laptops e desktops até os smartphones Android mais avançados. Nos últimos anos, a multinacional ganhou espaço no setor de “veículos definidos por software”, com o Snapdragon Digital Chassis — conjunto de tecnologias que oferece conectividade digital, direção autônoma e telas panorâmicas a modelos de BMW, Mercedes-Benz e Volvo.

5. Applied Materials

  • Receita: US$ 28 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 6,8 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 124,5 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 34.000 funcionários
  • Sede: Santa Clara, CA
  • Fabricação nos EUA: N/A
  • Range de Node de Produção: N/A

Gigante americana de equipamentos para fabricação de chips

Como um dos maiores fornecedores globais de equipamentos, serviços e software para a indústria de semicondutores, a Applied Materials exerce papel fundamental na cadeia global de fabricação de chips. A empresa tem como principais clientes TSMC, Intel e Samsung, e seu amplo portfólio de tecnologias é empregado na produção de chips de ponta para eletrônicos, dispositivos IoT e computação em nuvem. Além do papel essencial na cadeia de suprimentos de semicondutores, também fabrica equipamentos para produção de painéis planos para TVs, computadores e celulares.

Em 2023, a Applied Materials passou a ser alvo de investigação criminal pelo Departamento de Justiça dos EUA, acusada de violar controles de exportação ao enviar equipamentos de fabricação para a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), maior fabricante parcial estatal da China e alvo de restrições dos EUA desde 2022. Em 2023, novas regulações reforçaram o controle sobre empresas chinesas, sendo a Applied Materials investigada por remessas a uma subsidiária da SMIC na Coreia do Sul em 2021 e 2022, após a empresa chinesa já estar na Entity List do Department of Commerce dos EUA. 

6. Advanced Micro Devices (AMD)

  • Receita: US$ 29,6 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 2,7 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 260 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 26.000 funcionários
  • Sede: Santa Clara, CA
  • Fabricação nos EUA: Fabless
  • Range de Node de Produção: N/A

O preço de vender chips de IA para a China

Originalmente fabricante de microprocessadores, GPUs e outros semicondutores, a AMD desmembrou sua divisão de fabricação em 2009 para criar a GlobalFoundries, sediada em Nova York. Hoje, a AMD é uma empresa fabless, terceirizando toda sua produção e concentrando esforços em design de chips. 

Em 2016, a AMD lançou o Ryzen, família de microprocessadores topo de linha baseada em arquitetura chip radicalmente redesenhada. As CPUs de alto desempenho ajudaram a AMD a reconquistar espaço antes dominado pela Intel. Mais recentemente, entrou oficialmente no concorrido mercado de chips de IA com a linha MI300X de GPUs. Os novos aceleradores, com mais de 150 bilhões de transistores e encapsulamento 3D avançado, competem diretamente com os processadores da Nvidia na corrida por clientes que buscam rodar LLMs e IA generativa. 

Assim como a Nvidia, a AMD também firmou acordo com o governo dos EUA para compartilhar 15% da receita das vendas do chip MI308 para a China (necessário para obter a licença de exportação e atender o mercado chinês de IA).

7. Micron Technology 

  • Receita: US$ 34 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 6,2 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 133 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 43.000 funcionários
  • Sede: Boise, ID
  • Fabricação nos EUA: 2 fábricas
  • Range de Node de Produção: 10-30 nm 

Fabricante de chips ampliando fabricação nacional

Uma das poucas empresas americanas remanescentes que não terceiriza a fabricação de chips, a Micron Technology é líder em produção de chips de memória e armazenamento, incluindo DDR5 SDRAM, módulos de expansão de memória CXL e SSDs para datacenters, setor automotivo e outros mercados. 

Apesar de operar fábricas em mais de uma dezena de países — Japão, Taiwan, Malásia, China, entre outros —, a Micron receberá mais de US$ 6 bilhões em incentivos do CHIPS Act para construir quatro fabs em Clay, Nova York (projeto estimado em US$ 100 bilhões) e um novo site de fabricação em Boise. A meta é concluir as obras e iniciar a produção em todas as novas instalações até 2029.

8. Texas Instruments 

  • Receita: US$ 16,7 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 5 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 177 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 34.000 funcionários
  • Sede: Dallas, TX
  • Fabricação nos EUA: 8 fábricas
  • Range de Node de Produção: 45-350 nm 

Referência tradicional investindo em fábricas nos EUA

Nome conhecido do grande público, algo raro no setor de semicondutores, a Texas Instruments tem um histórico de conquistas tecnológicas marcantes. Em 1954, produziu o primeiro transistor de silício comercial. Poucos anos depois, um engenheiro da empresa foi peça-chave na invenção do circuito integrado. Atualmente, a TI oferece mais de 80 mil dispositivos e componentes eletrônicos, incluindo amplificadores, microcontroladores e chips de memória. Seus principais parceiros são Cisco Systems, Dell, HP e Apple. 

Após anunciar investimentos totais de US$ 11 bilhões para ampliar a capacidade de produção em Utah, a companhia iniciou a construção de uma planta de 300 mm perto de Salt Lake City. Também está erguendo quatro novos fabs em Sherman, Texas. Em agosto de 2024, o governo Biden anunciou US$ 1,6 bilhão em subsídios e outros US$ 3 bilhões em financiamentos através do CHIPS Act — verba essencial para os projetos em expansão de fabricação da empresa nos EUA. 

9. Lam Research 

  • Receita: US$ 18,4 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 5,3 bilhões (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 125 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 17.500 funcionários
  • Sede: Fremont, CA
  • Fabricação nos EUA: N/A
  • Range de Node de Produção: N/A

Fabricante de equipamentos para fabs presente em chips avançados

Os EUA estão entre os principais produtores globais de equipamentos para fabricação de wafers, segmento essencial que caminha para faturar US$ 100 bilhões ao ano. A Applied Materials lidera no setor de equipamentos, com receita acima de US$ 25 bilhões, mas a Lam Research também é pilar da fabricação global de semicondutores. 

Com sede em Fremont, CA, a Lam Research projeta e fabrica equipamentos focados em processos de front-end, como limpeza de wafers, fotoresistentes e gravação por plasma. De acordo com a empresa, “quase todo chip avançado” produzido atualmente utiliza sua tecnologia. Entre os principais clientes estão TSMC e Intel. 

10. Analog Devices 

  • Receita: US$ 10,4 bilhões (TTM)
  • Lucro Líquido: US$ 1,96 bilhão (TTM)
  • Valor de Mercado: US$ 120 bilhões 
  • Bolsa: Nasdaq
  • Tamanho: 26.000 funcionários
  • Sede: Wilmington, MA
  • Fabricação nos EUA: 3 fábricas
  • Range de Node de Produção: 28-180 nm 

Líder em ICs de processamento de sinais

Fundada em 1965 por dois ex-alunos do MIT, a Analog Devices é especialista em hardware para processamento analógico e digital de sinais, incluindo amplificadores, conversores de dados e processadores embarcados. Muitos dos CIs da empresa processam informações do mundo real — temperatura, pressão, velocidade — transformando esses dados em sinais elétricos, o que torna seus dispositivos aplicáveis a vários setores. A empresa tem mais de 100 mil clientes em todo o mundo, incluindo segmentos de saúde, manufatura, automotivo e aeroespacial. 

No ano passado, a Analog Devices investiu mais de US$ 1 bilhão para ampliar sua fábrica de wafers em Beaverton, OR, projeto que deve aumentar significativamente a área de sala limpa e a capacidade de produção, especialmente para dispositivos de nodes de 180 nm ou superiores. 

A resiliência das fabricantes americanas diante das mudanças globais 

Apesar das frequentes preocupações quanto ao declínio da liderança americana no setor de semicondutores, os EUA seguem com participação de mercado superior a qualquer outro país. Entretanto, empresas como Nvidia e AMD adotaram o modelo fabless e, cada vez mais, a fabricação ocorre em foundries de Taiwan, Coreia e China. Isso significa que empresas dos EUA seguem lucrando bilhões enquanto dependem fortemente de cadeias de suprimentos e fábricas na Ásia. 

Como a pandemia demonstrou, as maiores fabricantes americanas de chips — corporações bilionárias que empregam dezenas de milhares e são pilares em diversos setores — estão altamente expostas a gargalos externos, choques de suprimentos e interrupções em fabs. Além disso, o cenário geopolítico asiático — com a intensificação das ambições da China — adiciona riscos consideráveis. 

Esses fatores justificam os esforços dos Estados Unidos em construir uma cadeia de suprimentos de semicondutores mais independente e resiliente, baseada na produção nacional. Ainda que a indústria esteja cada vez mais multilateral e interdependente, as maiores empresas americanas do setor seguem firmes como líderes técnicos e inovadores ágeis. Os governos Trump e Biden, cada qual à sua maneira, vêm demonstrando quanto o estado americano está comprometido com o sucesso das fabricantes nacionais de semicondutores.