Classificar as cadeias de abastecimento atuais como complexas ou intrincadas é, na verdade, um grande eufemismo. Estas descrições refletem em parte a realidade da produção global, mas não transmitem totalmente a verdadeira dimensão destas redes que atravessam continentes. Grandes empresas dos setores automóvel, aeroespacial e de defesa, e eletrónica de consumo, contam com centenas de fornecedores diretos e milhares de fabricantes sub-tier. E, embora estas cadeias de abastecimento densas e em camadas sejam essenciais para a produção de máquinas sofisticadas como smartphones, computadores portáteis, automóveis e aviões comerciais, a sua escala e a multiplicidade de variáveis introduzem uma vasta gama de riscos. Os fabricantes e outras empresas que dependem de grandes cadeias de abastecimento devem estar atentos a ameaças como fechos de fábricas, fenómenos meteorológicos extremos, violações regulamentares, ciberataques e conflitos geopolíticos, entre outras vulnerabilidades.
A importância da visibilidade na cadeia de abastecimento
Como reconhecem todos os que conhecem a gestão de risco na cadeia de abastecimento (SCRM, Supply Chain Risk Management), uma das formas mais eficazes de mitigar estas vulnerabilidades e combater as ameaças que delas tiram partido é através da visibilidade da cadeia de abastecimento. A visibilidade na cadeia de abastecimento pode ser definida como a capacidade de visualizar todas as variáveis e intervenientes numa cadeia de abastecimento, incluindo produtos, componentes, fornecedores, fabricantes sub-tier e unidades fabris, de forma abrangente e orientada por dados.
Nos últimos anos, cada vez mais líderes de indústria reconhecem a importância crítica de alcançar maior visibilidade nas suas cadeias de valor. Um inquérito de 2022 realizado pela McKinsey & Company revelou que pouco mais de metade dos profissionais da cadeia de abastecimento estavam a utilizar tecnologias digitais de cadeia de abastecimento com o objetivo específico de melhorar a visibilidade. Contudo, obter uma visão mais detalhada e abrangente da logística de produção e das redes de fornecedores continua a ser um desafio significativo, e 62% das empresas continuam a enfrentar dificuldades devido à visibilidade limitada das suas cadeias de abastecimento. Felizmente, existem várias medidas concretas que as empresas podem adotar para reforçar a visibilidade, permitindo-lhes conquistar maior controlo sobre as parcerias estratégicas, as atividades a montante e a forma como gerem riscos e disrupções.
Reforçar os dados da cadeia de abastecimento
A visibilidade da cadeia de abastecimento pode ser um conceito, mas na sua essência traduz-se em algo muito mais tangível e específico: dados. Seja ao rastrear componentes e peças até à unidade fabril de origem, monitorizar o fluxo de mercadorias ou identificar fornecedores sub-tier, só é possível iluminar a cadeia de abastecimento através da recolha contínua de dados fiáveis e rigorosos.
Seja ao rastrear componentes e peças até à unidade fabril de origem, monitorizar o fluxo de mercadorias ou identificar fornecedores sub-tier, só é possível iluminar a cadeia de abastecimento através da recolha contínua de dados fiáveis e rigorosos.
Para dar início ao processo de criação de visibilidade na cadeia de abastecimento, os fabricantes e outras empresas precisam de desenvolver uma estratégia para reunir dados sobre as variáveis mais relevantes para os seus objetivos. Isto irá variar consoante a empresa, mas geralmente inclui algumas ações recorrentes.
Obtenção de documentação crítica, incluindo registos de transporte, reservas de frete e documentos de cadeia de custódia.
Compilação das listas de materiais (BOMs) e das declarações completas de materiais (FMDs), para compreender todos os componentes e subconjuntos incluídos nos produtos.
Acesso a bases de dados e outras plataformas do setor para monitorizar eficazmente os níveis de stock das matérias-primas e produtos essenciais para a produção.
O reforço dos dados da cadeia de abastecimento exigirá, por norma, procurar dados em fontes alternativas para além dos fornecedores e superar a agregação manual tradicional. Para acompanhar o volume de dados a processar regularmente, garantir a precisão e a atualização dos mesmos, as empresas terão de recorrer à tecnologia e à inteligência artificial nos seus processos de recolha de dados. Trata-se, não de abandonar as relações com fornecedores, mas de as complementar com novos métodos que promovam uma visibilidade e resiliência mais abrangentes em toda a cadeia de abastecimento.
Reforçar a informação com dados de outras fontes também pode evitar a exaustão do fornecedor, permitindo contactá-lo apenas quando for realmente imprescindível. Em vez de o sobrecarregar com vários e-mails a solicitar informações que possam estar acessíveis noutros meios, é possível otimizar a comunicação e fomentar relações mais sólidas e colaborativas.
Melhorar a comunicação com os fornecedores diretos
Tradicionalmente, uma das poucas formas de obter qualquer tipo de informação sobre a cadeia de abastecimento era através do contacto direto com os fornecedores imediatos. Estas iniciativas de recolha de dados eram geralmente realizadas por questionários, chamadas telefónicas ou, até, pessoalmente, oferecendo uma das vias mais eficazes para aprofundar o conhecimento sobre aspetos como os stocks, os fornecedores sub-tier ou o cumprimento regulamentar.
As ferramentas devem complementar, não substituir as relações com fornecedores
Atualmente, os meios para alcançar a transparência nas cadeias de abastecimento evoluíram de forma significativa. As iniciativas estratégicas integram, cada vez mais, tecnologias de ponta, incluindo software de visibilidade na cadeia de abastecimento e modelos de inteligência artificial. Contudo, ainda que estas ferramentas possam dar um contributo valioso aos esforços dos fabricantes, não conseguem sempre substituir o valor das relações sólidas e estáveis ao longo da cadeia de abastecimento. Os fornecedores que mantêm relações próximas com os clientes são mais propensos a alertar, de forma atempada e responsável, para possíveis disrupções, permitindo-lhes tomar decisões importantes quanto a encomendas, sourcing alternativo ou outras medidas de contingência.
Novas regulamentações ambientais e comerciais exigem fornecedores de confiança
Adicionalmente, os fornecedores que mantêm uma comunicação regular com os seus clientes estão mais motivados para ser transparentes sobre as operações internas. Embora há três ou quatro décadas este ponto pudesse ser irrelevante, o impacto das novas regulamentações em vigor um pouco por todo o mundo torna esta vertente da visibilidade cada vez mais essencial. As organizações que dispõem de melhor acesso aos seus fornecedores estarão em melhor posição para avaliar a preparação destes para responder à Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), à Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD) e aos novos requisitos impostos por entidades ambientais como a EPA. Este tipo de transparência torna os fornecedores mais responsáveis perante os clientes e eleva o padrão de conformidade em toda a cadeia de abastecimento.
Existem diversas técnicas comprovadas para fomentar uma melhor comunicação com fornecedores:
Estabeleça canais de comunicação claros — seja por meio de plataformas digitais, videoconferência ou chamadas regulares — e assegure uma utilização ativa e consistente desses canais.
Identifique um ponto de contacto principal no fornecedor.
Defina, desde o início da relação, expectativas claras no que diz respeito à transparência da cadeia de abastecimento e à partilha de informação. Desta forma, reduz-se significativamente a probabilidade de discrepâncias, falhas de comunicação ou até conflitos futuros.
Responsabilize os fornecedores através de métricas de desempenho e outras avaliações com base em dados.
Reforçar as equipas de resiliência na cadeia de abastecimento
De acordo com diversas fontes credíveis, desde a disrupção sem precedentes causada pela pandemia de COVID-19 que as empresas têm investido ativamente no reforço da resiliência das cadeias de abastecimento. Segundo um inquérito de 2021 da consultora Gartner, quase nove em cada dez profissionais da cadeia de abastecimento planeavam investir em resiliência nos dois anos seguintes. No entanto, a forma como as empresas alocam estes fundos é determinante. Embora os gestores possam ser atraídos pelo leque de soluções tecnológicas inovadoras que prometem maior transparência, mitigar riscos na cadeia de abastecimento e monitorizar detalhadamente a oferta e a procura, não se deve negligenciar o valor do talento humano.
Embora os gestores possam ser atraídos pelo leque de soluções tecnológicas inovadoras que prometem maior transparência, mitigar riscos na cadeia de abastecimento e monitorizar detalhadamente a oferta e a procura, não se deve negligenciar o valor do talento humano.
Os profissionais de resiliência na cadeia de abastecimento trazem para as organizações competências especializadas, incluindo a capacidade de identificar vulnerabilidades, implementar medidas de mitigação e promover maior flexibilidade em toda a operação. Na maioria dos casos, estes especialistas dependem de um amplo nível de visibilidade da cadeia de abastecimento para cumprir as suas funções e conhecem metodologias para alcançar essa visibilidade que podem não estar ao alcance de outros profissionais do setor.
Ao criar funções e constituir uma equipa dedicada à resiliência na cadeia de abastecimento, os fabricantes garantem acesso a um valor diferenciado, muitas vezes insubstituível, que mesmo a tecnologia mais avançada não consegue replicar plenamente.
Para além da visibilidade superficial, os profissionais de resiliência utilizam dados e inteligência para avaliar riscos e apoiar a tomada de decisões estratégicas.
Estes elementos promovem a colaboração multidisciplinar eficaz, eliminando silos e consolidando dados num local centralizado, acessível a toda a organização.
Quando ocorre uma rutura de grande escala na cadeia de abastecimento e se instala uma crise operacional, é fundamental contar com especialistas capazes de utilizar a visibilidade e executar medidas de contingência direcionadas. Os profissionais de resiliência sabem como aproveitar dados e inteligência para beneficiar a empresa nos momentos críticos.
Investir em software de visibilidade na cadeia de abastecimento
Estratégias como a promoção de uma comunicação eficaz e o reforço das equipas especializadas podem fazer toda a diferença para as organizações que pretendem ampliar os horizontes. Ainda assim, alcançar uma visibilidade excecional da cadeia de abastecimento exige praticamente um SCRM de referência no setor. Estas soluções vão muito além das técnicas tradicionais de recolha de informação, recorrendo a vastas bases de dados e a equipas de pesquisa especializadas, proporcionando aos clientes uma visão detalhada das respetivas redes logísticas.
A Z2Data, por exemplo, disponibiliza funcionalidades abrangentes prontas a utilizar para maximizar a perceção e minimizar o risco. O software de visibilidade na cadeia de abastecimento permite às empresas rastrear componentes até à unidade fabril de origem, monitorizar disrupções em tempo real e aprofundar o conhecimento sobre as redes sub-tier mais complexas. Adicionalmente, a Z2Data expande o conceito de «visibilidade na cadeia de abastecimento» ao disponibilizar aos clientes avaliações aprofundadas de componentes eletrónicos, incluindo análises de conformidade, avaliações de risco e previsões de obsolescência.
A Z2Data expande o conceito de «visibilidade na cadeia de abastecimento» ao disponibilizar aos clientes avaliações aprofundadas de componentes eletrónicos, incluindo análises de conformidade, avaliações de risco e previsões de obsolescência.
Com a ferramenta SCRM certa, as empresas conseguem alargar e aprofundar a análise de componentes e fornecedores.
Aceda a mapas sofisticados da cadeia de abastecimento, que podem servir de base para as iniciativas de visibilidade.
Análise detalhada de componentes, peças e subconjuntos a um nível granular elevado.
Compreensão detalhada da combinação singular de riscos inerentes aos fornecedores, através de perfis completos que avaliam fundamentos financeiros, vulnerabilidades geográficas e desempenho histórico.
Identificar os «Triângulos das Bermudas» na cadeia de abastecimento
A ideia de «pontos cegos» está bem estabelecida na gestão da cadeia de abastecimento. Tratam-se de regiões ou variáveis específicas que as organizações não abordaram ou prepararam adequadamente, criando uma vulnerabilidade potencialmente prejudicial e até desestabilizadora em caso de disrupção. Um ponto cego pode ser um conflito comercial emergente entre dois países de importância estratégica, relações laborais instáveis num fornecedor crítico ou a época dos furacões numa região fundamental para a produção.
Menos debatida, porém, é a noção dos «Triângulos das Bermudas» em certas cadeias de abastecimento. São sub-tiers, unidades fabris ou componentes concretos para os quais as empresas não possuem quaisquer dados fiáveis (como se toda a inteligência sobre esse ponto desaparecesse no ar).
Menos debatida, porém, é a noção dos «Triângulos das Bermudas» em certas cadeias de abastecimento. São sub-tiers, unidades fabris ou componentes concretos para os quais as empresas não possuem quaisquer dados fiáveis (como se toda a inteligência sobre esse ponto desaparecesse no ar).
Os fabricantes que conseguem identificar estes vazios críticos de dados e agir em conformidade estão em melhor posição para obter uma visão realmente completa da cadeia de abastecimento. Além disso, reconhecer estes «Triângulos das Bermudas» e tomar medidas concretas para os retificar pode ser determinante para eliminar riscos elevados que afetam silenciosamente a continuidade operacional.
Fabricantes sub-tier sem dados acessíveis ou informação identificativa tendem a ser entidades de risco mais elevado — sujeitas a sanções dos EUA ou de outros países, em incumprimento de normas ambientais críticas, ou com situação financeira precária.
Não é possível substituir uma entidade de risco que não se consegue identificar. Detetar fornecedores anónimos ou rastrear componentes até sub-tiers não mapeados é um passo fundamental para adotar medidas estratégicas e substituir fabricantes que colocam a empresa em risco indevido.
Não é possível substituir uma entidade de risco que não se consegue identificar. Detetar fornecedores anónimos ou rastrear componentes até sub-tiers não mapeados é um passo fundamental para adotar medidas estratégicas e substituir fabricantes que colocam a empresa em risco indevido.
A gestão de risco começa com a visibilidade
A década de 2020 marca uma mudança decisiva na abordagem à gestão das cadeias de abastecimento. Em vez de focar sobretudo no custo, eficiência e logística just-in-time (JIT), os fabricantes começam a reconhecer o valor de direcionar recursos para a mitigação de ameaças e promoção da resiliência na cadeia de abastecimento. O resultado é um novo campo emergente, a gestão de risco na cadeia de abastecimento, que rapidamente se transforma numa indústria de múltiplos mil milhões de dólares. No entanto, para garantir resultados sólidos, as estratégias de SCRM devem ser guiadas e sustentadas por uma visibilidade superior da cadeia de abastecimento.
Aumentar a transparência não é, porém, um interruptor instantâneo. As empresas devem adotar uma abordagem paciente e diligente, tirando partido de todos os recursos disponíveis para obter maior nitidez sobre componentes, fornecedores e fabricantes sub-tier. Existem, contudo, limites ao potencial de contactos telefónicos, inquéritos a fornecedores ou partilha de bases de dados. As empresas que procuram uma visibilidade simultaneamente ampla e granular devem analisar as capacidades de uma ferramenta como a Z2Data. O software de visibilidade na cadeia de abastecimento, como a Z2Data, utiliza bases de dados extensas, algoritmos proprietários e equipas de pesquisa experientes para proporcionar uma visão rigorosa, eficaz e sempre atualizada do panorama da cadeia de abastecimento dos seus clientes. Na corrida para alcançar uma monitorização aprofundada e dinâmica das redes de produção, estas soluções constituem, provavelmente, o ativo mais poderoso ao dispor das empresas.
Para saber mais sobre a Z2Data e o conjunto de funcionalidades que reforçam a visibilidade da cadeia de abastecimento, solicite uma demonstração gratuita com um especialista de produto.