Como os dados sobre o país de origem podem reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento

Com o surgimento de um novo panorama comercial, as empresas que conhecem o país de origem das suas importações têm uma vantagem estratégica crucial.

Como os dados sobre o país de origem podem reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento

Destaques do artigo:

  • Um dos pontos de dados mais essenciais que as empresas procuram obter para as suas importações é o país de origem (COO), que atualmente desempenha um papel desproporcionalmente elevado nos custos associados à entrada de produtos estrangeiros nos EUA. 
  • O país de origem não deve ser visto apenas como um critério que as autoridades utilizam na aplicação de tarifas — o COO é um dado relevante que os próprios importadores podem utilizar para promover maior resiliência na cadeia de abastecimento.
  • Os dados de COO podem ajudar profissionais de aprovisionamento a tomar decisões de diversificação da cadeia de abastecimento ao fornecer uma visão completa da origem de todos os componentes, identificando dependências e potenciais estrangulamentos futuros. 

Só nos primeiros quatro meses, 2025 tem-se revelado um dos anos mais voláteis para o comércio internacional em décadas. Uma série de tarifas impostas pelos EUA a outros países, medidas de retaliação por parte desses países e escaladas sucessivas entre a América e alguns dos seus principais parceiros comerciais criaram um panorama comercial tumultuoso. Para muitas empresas e fabricantes dos EUA que dependem de cadeias de abastecimento globais, o resultado tem sido um ambiente de incerteza e apreensão. 

No meio desta incerteza e apreensão, as organizações estão a perceber que a visibilidade dos dados pode ser fundamental para aumentar a sua agilidade e capacidade de resposta num contexto dinâmico. Quanto mais conhecimento tiverem sobre as suas cadeias de abastecimento, fabricantes diretos e de subníveis, e trajetos complexos que as importações percorrem desde as matérias‑primas até ao produto final, mais resiliência conseguem construir. Para alcançar esta resiliência da cadeia de abastecimento, as empresas estão a trabalhar para reunir vários tipos de dados, incluindo mapas da cadeia de abastecimento, códigos HTS (Harmonized Tariff Schedule) e localização das unidades fabris. 

Um dos pontos de dados mais essenciais que as empresas procuram atualmente para as suas importações é o país de origem (COO). Embora possa parecer mais simples — até óbvio — quando comparado com códigos complexos e cadeias de abastecimento labirínticas, passou a ter um peso desproporcionado nos custos associados à importação de bens para os EUA.

O que é o país de origem e porque é tão importante?

O país de origem de um produto — normalmente referido como «COO» — corresponde à nação onde foi originalmente fabricado. Para além de ser simplesmente um dado factual relativo a uma mercadoria, material ou produto, o COO é também uma designação legal e um requisito obrigatório. Segundo a Customs and Border Protection (CBP) dos EUA, «todos os artigos de origem estrangeira que entrem nos Estados Unidos devem ser marcados, de forma legível, com o nome em inglês do país de origem, salvo disposição legal em contrário».

Dado que atualmente muitos produtos passam por etapas de fabrico em vários países até chegarem ao estado final adquirido pelo importador, a determinação do COO nem sempre é imediata. Para bens produzidos em vários países, a Customs and Border Protection segue o princípio legal da transformação substancial. Como detalha a International Trade Administration (ITA) dos EUA no seu site, este princípio determina que o COO dos produtos fabricados em vários países corresponde ao país onde ocorreu a transformação substancial final. 

A designação de COO para importações pode ser, nesta década, a mais relevante de sempre. Isto deve-se ao facto de o país de origem ser o fator determinante para a maioria das tarifas impostas pela administração Trump. Embora o Presidente Trump também tenha implementado várias tarifas setoriais desde o início do mandato, o último mês registou um aumento sem precedentes nas tarifas de dezenas de importantes parceiros comerciais mundiais. 

No entanto, o país de origem não deve ser encarado apenas como um critério de classificação que serve de base para a aplicação de tarifas. O COO é um ponto de dados fundamental que os próprios importadores podem aproveitar para identificar vulnerabilidades e reforçar a resiliência da cadeia de abastecimento.

Calcular responsabilidades tarifárias

As organizações que conhecem o COO das suas importações podem determinar antecipadamente os custos tarifários associados. Além disso, ferramentas de análise e relatórios de dados permitem calcular as responsabilidades tarifárias totais, com base na quantidade global de produtos importados. 

Isto pode ajudar os fabricantes a compreender os custos e alterações dos encargos e a rever as previsões de receitas para o resto de 2025 e anos seguintes. Também permite contextualizar globalmente o impacto das tarifas, fornecendo aos responsáveis pela cadeia de abastecimento um número objetivo que expressa as consequências financeiras totais de manter as práticas de sourcing atuais. 

Compreender dependências de países

Para além de fornecer aos importadores dados geográficos necessários para calcular custos de tarifas, os dados de COO desenham o mapa das cadeias de abastecimento globais das empresas — e das grandes dependências nelas ocultas. Um grande fabricante automóvel, por exemplo, pode importar dezenas de milhares de componentes num único ano, sendo que mais de metade desses vão da China para os EUA. Sem dados completos de COO, o fabricante pode nem ter noção do grau de dependência da produção chinesa para os seus veículos. 

Para além de fornecer aos importadores dados geográficos necessários para calcular custos de tarifas, os dados de COO desenham o mapa das cadeias de abastecimento globais das empresas — e das grandes dependências nelas ocultas.

Deste modo, os dados de COO tornam-se informação fundamental para a gestão de risco da cadeia de abastecimento (SCRM), permitindo às empresas identificar vulnerabilidades derivadas do excesso de dependência em determinados países. 

Avaliar exposição à volatilidade e a futuros conflitos comerciais

Uma abordagem proativa à gestão de risco da cadeia de abastecimento implica olhar para o futuro, utilizando «risk sensing» para antecipar a origem das próximas ameaças. Por exemplo, embora tarifas de 10% para grandes países produtores como Vietname, Malásia e Tailândia possam parecer hoje aceitáveis, esses valores poderão alterar-se drasticamente após o termo da pausa de 90 dias decretada pela administração Trump. 

Saber analisar dados de COO permite às organizações identificar potenciais vulnerabilidades futuras — ou seja, fundamentar com dados a adoção de medidas de mitigação na cadeia de abastecimento. Um fabricante dos EUA que importa sobretudo da China e de vários países do Sul Asiático poderá, por exemplo, decidir diversificar para EUA, Canadá ou México, onde o risco de tarifas elevadas é consideravelmente menor. 

Identificar onde é necessária diversificação 

Poucas estratégias de SCRM são tão frequentemente referidas como a diversificação da cadeia de abastecimento. Embora à superfície possa parecer simples diversificar fornecedores e origens para incluírem vários países, fabricantes e localizações, executar esta tarefa sem critérios bem definidos ou um âmbito delimitado é praticamente impossível. Muitas grandes empresas norte-americanas adquirem dezenas de milhares de componentes por ano, trabalhando com centenas de fabricantes em múltiplos países e regiões. Não é viável — nem estrategicamente aconselhável — garantir fornecedores alternativos para 500 fabricantes ou reformular por completo uma cadeia de abastecimento construída durante anos. 

Embora à superfície possa parecer simples diversificar fornecedores e origens para incluírem vários países, fabricantes e localizações, executar esta tarefa sem critérios bem definidos ou um âmbito delimitado é praticamente impossível.

Em vez disso, as organizações devem abordar a diversificação com rigor, identificando as categorias de componentes e matérias onde a necessidade de sourcing mais abrangente e diversificado é mais crítica. Os dados de COO podem ajudar profissionais de compras a tomar estas decisões, ao fornecerem uma visão completa de todas as origens dos seus componentes, dependências e estrangulamentos potenciais. 

Iniciar o redesenho dos processos de fabrico 

No panorama comercial atual, os fabricantes dos EUA estão a fazer tudo ao seu alcance para compensar os custos elevados impostos pelas tarifas da administração Trump. Uma das práticas mais avançadas deste novo contexto é a reestruturação dos processos de fabrico de um produto ou submontagem, de modo que o local final de transformação substancial — que determina o COO — passe de um país com tarifas elevadas para um país com tarifas mais baixas. Se, por um lado, estas medidas exigem um grau elevado de complexidade e especialização, por outro podem gerar benefícios significativos e duradouros.

Para iniciar o desenvolvimento de um novo processo de fabrico, contudo, as empresas precisam de saber analisar os COOs de todas as suas importações. Só com esta visão integral das origens dos seus componentes e submontagens poderão decidir a que bens aplicar uma reorganização deste tipo. 

A tecnologia SCRM fornece dados de COO 

Quando usados de forma eficaz, os dados de COO sobre produtos, componentes e submontagens permitem aos importadores dos EUA obter informações acionáveis sobre onde estão a ser fabricados os seus bens. Combinando vários pontos de dados para criar relatórios abrangentes sobre padrões e distribuições de COO em milhares de produtos, as empresas conseguem tomar decisões imediatas para mitigar impactos tarifários e evitar riscos comerciais futuros. Plataformas de SCRM constituem recursos valiosos para este tipo de gestão de risco, fornecendo aos utilizadores informação credível e atualizada sobre os COOs de centenas de milhões de componentes eletrónicos em todo o mundo. 

O software SCRM da Z2Data revela dependências críticas através de uma funcionalidade única — Sourcing Status — que permite aos utilizadores:

  • Ver o COO de milhões de componentes eletrónicos.
  • Identificar componentes fabricados apenas numa unidade fabril (dependência de local único).
  • Assinalar artigos fabricados apenas por um único fabricante — uma dinâmica de mercado que aumenta significativamente o risco de obsolescência. 

Quer as empresas procurem reduzir dependências de países, regiões ou fabricantes, a Z2Data disponibiliza os dados necessários para orientar decisões estratégicas informadas. Para saber mais sobre a Z2Data e como a plataforma pode ajudar a usar dados de COO para mitigar riscos em toda a cadeia de abastecimento, solicite uma demonstração gratuita com um dos nossos especialistas de produto.