Desde o início da COVID-19, observamos interrupções e escassez nas cadeias de suprimentos globais. Embora as graves faltas de semicondutores dos últimos dois anos tenham diminuído, ainda há ausência de certos componentes críticos, especialmente na indústria automotiva.
A cadeia de suprimentos de semicondutores, em particular, tem sido impactada por vários fatores desde o início da COVID-19. Desde escassez de materiais causada pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, até desastres naturais, secas, inflação, flutuação na demanda de mercado e tensões entre os EUA, China e Taiwan, o setor está enfrentando dificuldades para se estabilizar e atender à demanda de produção.
A Volkswagen recentemente declarou que espera que a escassez de chips persista além de 2023 e que a empresa está se preparando para um ‘novo normal’ de crise na cadeia de suprimentos.
Na semana passada, Toyota anunciou que irá produzir 100.000 carros a menos em outubro devido à falta de semicondutores. A Ford Motors também anunciou que possui mais de 40.000 veículos parados nas linhas de produção à espera de componentes e a Honda comunicou que reduziu em 40% a produção de veículos no Japão devido à escassez de chips.
A capacidade de produção de chips automotivos da NXP não tem sido suficiente para atender à demanda dos pedidos, causando aumentos de preço e atrasos na produção. Já a TSMC recomendou aos clientes que criem estoques de segurança para projetos de ICs automotivos.
Além da indústria automotiva, a escassez de chips continua afetando outros setores. O CEO da Raytheon Technologies, a segunda maior empresa de defesa dos EUA, afirmou recentemente que os microchips continuarão escassos após meados de 2023, e a Secretária de Comércio dos EUA, Raimondo, também declarou: “Infelizmente, eu não vejo a escassez de chips sendo resolvida de forma significativa ao longo do próximo ano.”
Com Vladimir Putin anunciando que a guerra na Ucrânia está entrando em uma nova fase e ameaçando o uso de armas nucleares, e a China acusando os Estados Unidos de enviar “sinais muito errados e perigosos”, a ameaça de novas interrupções geopolíticas na cadeia de suprimentos parece iminente. Isso se soma à instabilidade dos mercados financeiros globais, escassez de materiais e energia e à volatilidade geral da cadeia de suprimentos de semicondutores.
Escassez atual do mercado
A escassez atual do mercado varia conforme os nós tecnológicos e utilização. Por exemplo, a demanda por nós de processo maduros como 55/65nm e 90nm começou a diminuir, mas a demanda por 40nm, 28nm, 22/20nm e 16/14nm permanece elevada.
Veja algumas tendências atuais de prazo de entrega conforme relatórios do setor:
A oferta de CPUs industriais e microcontroladores (MCU) permanece restrita, com prazos de entrega superiores a 50 semanas. Séries de microcontroladores e controladores USB Hub estão entre os produtos com prazos mais longos, e a previsão é de que todos os pedidos sejam entregues apenas em 2023.
Microchip e STMicro estão enfrentando aumento na demanda por componentes EEPROM, o que estende os prazos de entrega para 52 semanas. Os prazos para MOSFET passaram de 70 semanas para 110 semanas. A alocação está diminuindo à medida que os prazos aumentam.
Faltas críticas continuam impactando a Xilinx, com prazos de entrega superiores a 50 semanas em média, e devido à oferta instável de FPGA da Xilinx e da Intel, a Lattice registrou aumento repentino na demanda, levando seus prazos para mais de 99 semanas.
Previsões de mercado
Apesar de notícias sobre desaceleração da demanda do consumidor, a World Semiconductor Trade Statistics (WSTS) divulgou em agosto sua nova previsão para o mercado de semicondutores. A estimativa é de que o mercado aumente quase 14% em 2022, com previsão de US$ 633 bilhões em receita, e que continue crescendo 4,6% em 2023.
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O crescimento projetado abrange várias regiões, principalmente Ásia-Pacífico, Américas, Europa e Japão, com forte demanda por CIs de Lógica e Analógicos, além de Sensores, sendo Optoeletrônicos a categoria mais fraca na previsão.
Relatórios da MarketWatch e McKinsey apresentaram recentemente previsões apontando que a indústria global de semicondutores pode se tornar um setor trilionário até 2030, com 70% do crescimento impulsionado pelos segmentos automotivo, computação, armazenamento de dados e indústrias de tecnologia sem fio.
O que isso significa?
Apesar da redução da demanda por certos tipos de semicondutores, o mercado continuará crescendo, uma vez que semicondutores são essenciais para o cotidiano, inovação, defesa nacional e iniciativas globais de emissões líquidas zero de carbono.
Geopolítica, desastres naturais, economia global e demanda dos consumidores seguem gerando volatilidade e escassez na cadeia de suprimentos de semicondutores.
A mitigação de riscos e o gerenciamento da cadeia de suprimentos estão entre as principais iniciativas das empresas para promover resiliência operacional.
O aprimoramento da visibilidade e flexibilidade da cadeia de suprimentos pode ajudar empresas que enfrentam dificuldades para atender à demanda por semicondutores.
O multi-sourcing e a diversificação de fornecedores reduzem as dependências geográficas e de fornecedores. Adotar ferramentas para monitoramento das mudanças em compras e receber alertas sobre o impacto de desastres naturais ou eventos geopolíticos em sua cadeia de suprimentos permitirá mitigar rapidamente e de maneira estratégica as interrupções e escassez de chips.