A temporada de furacões e tufões já começou. Nesta época do ano, voltamos a ouvir aqueles nomes únicos que identificam novas forças de possível destruição: "Michael", "Katrina", "Haiyan", e a lista continua…
Nesta análise da temporada de ciclones, vamos examinar de perto furacões e tufões históricos usando dados desenvolvidos pela equipe da Z2Data, além do apoio de algumas fontes externas.
Vamos analisar temporadas entre 2017 e 2019 para avaliar quais regiões são "hotspots" (áreas críticas) de furacões/tufões durante os meses de verão. Além disso, serão adicionados locais de fornecedores aos mapas dos hotspots para identificar regiões de risco no Pacífico e no Atlântico.
Após nossa análise das temporadas passadas de furacões e tufões, vamos direcionar o foco para os próximos anos.
Até o momento, espera-se que 2021 seja o sexto ano consecutivo de temporada de furacões acima da média. Se essa tendência continuar, o que hoje é considerado acima da média não se tornará a nova média?
E será que essa tendência poderá evoluir ao ponto de temporadas extremas de furacões e tufões se tornarem o novo normal?
Mantenha-se longe das janelas, tranque as portas e procure o armário mais próximo.
Estamos apenas começando.
Análise das Temporadas de Furacões no Atlântico (2017-2020)
A temporada de furacões do Atlântico de 2017 foi a mais cara já registrada. Os danos ultrapassaram US$ 294 bilhões. Houve 10 furacões e 6 furacões principais naquele ano. Harvey, Irma e Maria foram os mais destrutivos, enquanto Nate é considerado o maior desastre natural da história da Costa Rica.
Como ilustrado na figura abaixo, Harvey, Irma e Maria passaram pelo Caribe antes de atingirem território americano. Harvey chegou próximo a Rockport, no Texas, como uma tempestade de categoria 4, com ventos máximos de 152 mph. Depois, a tempestade ficou estacionada sobre Houston, Texas — resultando em enchentes devastadoras com acumulados de chuva em 5 dias acima de 1.600 mm em algumas áreas.
O trajeto de Harvey provavelmente impactou 3 fábricas no Texas — uma em Corpus Christi, uma em San Antonio e outra em Austin.
Se cada uma dessas 3 fábricas tivesse sido totalmente paralisada durante a tempestade, o impacto conjunto na receita poderia ter superado US$ 600 milhões. As fábricas eram especializadas em MOSFETs, resistores de chip, entre outros.
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A trajetória de Irma passou diretamente por Miami e subiu pela costa oeste da Flórida. Esse caminho coincidiu com 3 fábricas que, juntas, tiveram impacto de mais de US$ 300 milhões em receitas.
A temporada de furacões de 2018 teve 8 furacões e 2 furacões principais. Também foi o quarto ano consecutivo em que uma tempestade se formou antes do início oficial da temporada.
Embora vários furacões tenham tocado terra, poucos deixaram danos significativos. O furacão Florence provocou inundações desastrosas nas Carolinas, com mais de US$ 24 bilhões em prejuízos. O furacão Michael deixou grandes danos na Flórida, Geórgia e Alabama: causando ao menos 64 mortes e quase US$ 25 bilhões em prejuízo.
O Florence de 2018 foi semelhante a Harvey, pois também alcançou terra e permaneceu estacionado. Essa persistência resultou em grandes enchentes e rodovias fechadas — causando interrupções na cadeia de suprimentos. Kathy Fulton, diretora executiva da American Logistics Aid Network, comentou sobre os efeitos na cadeia de suprimentos após as enchentes: "As empresas não conseguiam entregar pelas rotas normais."
Mesmo quando fabricantes conseguiam continuar operando, ninguém conseguia chegar lá. Nem mesmo os próprios colaboradores.
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A temporada de furacões de 2019 ficou empatada com a de 1969 como a quinta mais ativa já registrada no Atlântico: 18 tempestades nomeadas e 20 ciclones tropicais. Apesar do recorde, muitas dessas tempestades foram fracas e apenas 6 das 20 atingiram o status de furacão.
A propósito, é curioso falar de furacões "abaixo do esperado" como se estivéssemos decepcionados com eles. Na verdade, nós preferimos furacões abaixo do esperado: menos danos e menos destruição, por favor!
Voltando ao tema: 3 furacões se intensificaram até tornarem-se grandes furacões, sendo que 2 deles alcançaram a categoria 5.
A maior destruição ocorreu nas Bahamas, causada pelo furacão Dorian. No total, Dorian causou quase US$ 5,1 bilhões em danos e 84 mortes.
A temporada de furacões do Atlântico em 2020 foi a mais ativa já registrada e a quinta mais cara da história. Foram 14 furacões no total e 7 desses evoluíram para grandes furacões — igualando o recorde. Apesar de toda a atividade extrema, 2020 foi o primeiro ano desde 2015 sem a formação de furacão de categoria 5.
Quais São os Hotspots de Furacões no Atlântico?
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Como mostrado acima, a equipe da Z2Data mapeou os hotspots de furacões do Atlântico nos EUA com as regiões divididas por cor — do menor ao maior risco. Além disso, locais de fornecedores eletrônicos e fábricas foram sobrepostos ao mapa para ilustrar quantos fornecedores podem ser afetados por ciclones a cada ano.
A maior concentração de fornecedores potencialmente afetados está no nordeste e na região da Nova Inglaterra. Empresas de eletrônicos que dependem de vários fornecedores nessa região devem ter um plano para usar locais alternativos de fornecedores caso ocorra algum furacão disruptivo.
Análise das Temporadas de Tufão no Pacífico (2017-2020)
A temporada de tufões do Pacífico em 2017 foi considerada abaixo da média e foi a primeira desde 1977 sem formação de tufão de categoria 5. Foram registrados 11 tufões e 2 supertufões. Outro destaque da temporada de 2017 foi ter sido a primeira desde 1998 em que o primeiro tufão só foi surgir em 23 de julho.
A temporada de 2018 foi bem diferente. Tornou-se, na época, a temporada de tufões de maior custo já registrada até que (spoiler!) 2019 chegou. Em 2018 foram 13 tufões e 7 supertufões.
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A temporada de tufões mais cara já registrada no Pacífico foi a de 2019, com 17 tufões e 5 supertufões. O primeiro tufão da temporada, Wutip, surgiu em fevereiro e evoluiu para supertufão — tornando-se o ciclone tropical mais intenso já registrado em fevereiro no Hemisfério Norte.
O tufão Lekima se tornou o segundo mais caro da história da China. No Japão, o tufão Hagibis foi um dos ciclones tropicais mais caros da história do país. Lekima, Hagibis e Faxai (outro grande tufão) foram responsáveis por US$ 32 bilhões em danos.
Quais São os Hotspots de Tufões no Pacífico?
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Como demonstrado acima, a maior concentração de locais de fornecedores em áreas de alto risco está no Japão e na Coreia do Sul. Taiwan também merece destaque como uma região vulnerável a interrupções na cadeia de suprimentos por causa de tufões. É importante monitorar também a costa leste da China.
Considerando a atual escassez de chips e semicondutores, as cadeias de suprimentos podem enfrentar ainda mais interrupções caso fornecedores de Taiwan precisem interromper suas operações devido a tufões.
Temporada de Furacões/Tufões de 2021
A temporada de furacões do Atlântico de 2021 já começou oficialmente. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) divulgou sua previsão para a temporada no final de maio.
De acordo com a previsão, a NOAA projeta de 13 a 20 tempestades nomeadas, com 6 a 10 furacões e 3 a 5 grandes furacões (categoria 3 ou superior). A média registrada é de 14 tempestades nomeadas, 7 furacões e 3 grandes furacões.
A razão para mais uma temporada acima da média está nas temperaturas registradas no Atlântico. A superfície do Atlântico esteve de 1 a 3 graus Celsius acima do normal no mês de maio. Isso é importante porque a temperatura da superfície oceânica serve como indicador-chave para furacões: temperaturas mais altas funcionam como combustível para a formação de grandes furacões.
A temporada de tufões no Pacífico, por sua vez, deve ser de média a abaixo da média, segundo a NOAA. A previsão aponta 12 a 18 tempestades nomeadas, 5 a 10 tufões e 2 a 5 supertufões. Os principais fatores para a previsão foram as temperaturas do oceano de média a abaixo da média na região do Pacífico e a permanência do El Niño em fase neutra, ou seja, com menor aquecimento.
Furacões e Tufões Futuros Serão Mais Extremos?
Pesquisas realizadas pela NOAA alertam para o futuro das temporadas de furacões e tufões. Os estudos apresentam um conjunto robusto de evidências empíricas de que o aquecimento global é, muito provavelmente (>90%), resultado das emissões humanas de gases do efeito estufa. O aquecimento global já gerou mudanças detectáveis ("mudança detectável significa uma alteração suficiente para ser claramente distinguida da variabilidade causada por motivos naturais…") na atividade de furacões e tufões.
A NOAA concluiu em seu estudo:
- Elevação dos níveis do mar
- Aumento das taxas de chuva dos ciclones tropicais
- Maior intensidade dos ciclones tropicais
- Aumento da proporção global de ciclones tropicais das categorias 4 e 5
Os termos do estudo indicam que cada um desses pontos acima tem mais de 66% de chance de ocorrer.
O relatório também conclui que pode ser prematuro afirmar com alta certeza que as atividades humanas sejam a causa de temporadas de ciclones potencialmente extremas. Além disso, destaca que as atividades humanas já podem ter causado mudanças na atividade dos ciclones ainda não detectadas pelos pesquisadores.