O que são as PFAS e porque estão presentes em todos os nossos produtos?
As substâncias per- e polifluoroalquil (PFAS) existem desde a década de 1940. Na altura, a longevidade e a resiliência dos produtos eram um grande problema para vários setores. Os cientistas procuravam formas inovadoras de combater a degradação causada pela água, óleos e calor a que os produtos estavam expostos. Foi assim que recorreram à ligação mais forte conhecida na química orgânica, a ligação carbono-flúor.
Foram sintetizadas várias estruturas com esta ligação, levando ao desenvolvimento bem-sucedido de diferentes substâncias perfluoroalquil e polifluoroalquil. Isto permitiu aos fabricantes incorporar resistência ao calor e à água nos produtos e utilizá-las em membranas finas com propriedades anti-riscos. Estas inovações chegaram ao mercado sob a forma de tecidos impermeáveis, utensílios de cozinha antiaderentes, novas espumas de combate a incêndios e embalagens alimentares resistentes a óleos. Mas a utilização das PFAS não ficou por aqui.
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Mais do que tachos e panelas: a indústria eletrónica adota as PFAS
Apesar de as suas propriedades terem ganho destaque em produtos domésticos, como vestuário e panelas, outros setores também começaram a tirar partido dos benefícios das PFAS. Em especial, a indústria eletrónica passou a utilizar as PFAS para combater vários problemas críticos enfrentados pelos fabricantes. Os plásticos com PFAS tornaram-se mais resilientes: resistem ao desbotamento e à fissuração; aguentam-se mais tempo perante exposição ao calor; reduzem o atrito e aumentam o ciclo de vida em lubrificantes e agentes desmoldantes; diminuem a necessidade de substituição de juntas e tubos; e tornam os revestimentos de fios elétricos menos suscetíveis ao calor gerado pela passagem da corrente.
A sua aptidão para aplicações de alta temperatura e alta tensão tornou-as ainda mais atrativas. Os revestimentos de PFAS protegem equipamentos sensíveis, como placas de circuito impresso (PCBs) e equipamentos de áudio, contra a humidade e o pó. Além disso, as PFAS desempenham um papel importante na indústria de fabrico de semicondutores, graças às suas propriedades físico-químicas, incluindo resistência à luz, propriedades anti-reflexo, baixa tensão superficial e inércia química.
Para o público e para os fabricantes, os produtos tratados com PFAS duravam mais e pareciam mais seguros do que nunca.
As crescentes implicações das PFAS para a saúde humana
No entanto, à medida que a utilização das PFAS aumentava e o número de produtos com PFAS crescia, também a monitorização ambiental começou a detetar novos poluentes. Os cientistas começaram a identificar PFAS em amostras de água e solo. Devido à sua resistência ao calor e à água, as PFAS não se degradam no ambiente como outras substâncias; em vez disso, acumulam-se. Os cientistas notaram o aumento das PFAS na fauna e flora, tornando-se evidente a necessidade de estudos de saúde para avaliar a sua persistência generalizada e o seu carácter bioacumulativo.
Estudos emergentes sobre saúde animal e humana começaram a estabelecer ligações entre a exposição a PFAS e problemas graves de saúde. As PFAS foram associadas a vários tipos de cancro, danos no fígado e nos rins, obesidade, diabetes, bem como disfunções do sistema imunitário. Foram também relacionados com perturbações do crescimento, desenvolvimento e reprodução. Embora a exposição a baixas concentrações de PFAS seja menos prejudicial, a sua natureza acumulativa levou rapidamente a níveis de exposição muito superiores aos considerados seguros. Em 1999, um estudo nos Estados Unidos encontrou quatro PFAS diferentes no sangue de 99% das pessoas testadas.
PFAS: de quatro substâncias para mais de 14.000 em 80 anos
Apesar do esforço para encontrar alternativas às PFAS, verificou-se um padrão preocupante. Cria-se uma substância de PFAS, coloca-se no mercado e só é removida (ou substituída) quando se confirma ser prejudicial para o ambiente ou para a saúde.
Embora este padrão não seja exclusivo das PFAS — é, aliás, standard na monitorização de substâncias — as PFAS destacam-se pela aparente variedade ilimitada de estruturas, baseada nas ligações carbono-flúor. Por esta razão, passaram de quatro PFAS nos anos 1940 para mais de 14.000 atualmente.
Este aumento rápido de substâncias PFAS explica o recente impulso para mais regras e regulamentos sobre PFAS em vários setores, mas explica também a crescente dificuldade em identificar a utilização de PFAS em produtos.
Regras e regulamentos sobre PFAS: onde, por quem e sobre o quê
Devido à sua presença ubíqua, bem como ao crescente debate governamental e público sobre os seus efeitos, surgem quase diariamente novas regras e propostas para PFAS em todo o mundo.
Todos os continentes emitiram algum tipo de declaração sobre PFAS, seja proposta ou entrada em vigor, e todos os setores enfrentam atualmente restrições relativas às PFAS. A União Europeia já impôs há anos proibições ou restrições sobre vários compostos de PFAS através de diferentes instrumentos legislativos, incluindo a legislação sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POP) e o regulamento REACH (Registo, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas). No Canadá, a agência de proteção ambiental regula certas PFAS, enquanto o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia adotaram também regras para as PFAS. Nos Estados Unidos, vários Estados aprovaram regulamentos sobre PFAS em diferentes produtos, mas a obrigação federal de reporte tem chamado a atenção de múltiplos setores.
A Agência de Proteção Ambiental enfrenta as PFAS
Importa referir que a Environmental Protection Agency (EPA) implementou uma regra ao abrigo da Toxic Substance Control Act (TSCA), Secção 8(a)(7). Esta regra obriga qualquer entidade que tenha fabricado ou importado PFAS ou artigos contendo PFAS entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2022 a comunicar eletronicamente essa informação à EPA até 8 de maio de 2025 e a manter esses registos durante cinco anos após o prazo. Esta regra aplica-se a qualquer tipo de produto e a todos os setores.
Muitas empresas salientaram a dificuldade em identificar onde as PFAS podem ser usadas nos seus produtos e outras afirmam simplesmente desconhecer a presença de PFAS. No entanto, a regra exige provas da investigação. A EPA emitiu orientações que incentivam fortemente todas as entidades a fazerem investigações e a registar essas provas, mesmo que a investigação comprove a inexistência de PFAS, isentando assim a empresa da obrigação de reporte. Essas provas podem ser usadas para defender a decisão perante eventuais multas e processos.
Então, onde são atualmente utilizadas as PFAS nos eletrónicos?
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Onde estão as PFAS nos seus eletrónicos?
Uma análise à base de dados de componentes da Z2Data identificou quase 40.000 componentes conhecidos por conterem PFAS. Ao agrupar estes componentes por tipo de produto, verificou-se que 281 categorias eletrónicas estão afetadas pelas PFAS. Destas, mais de 14.000 condensadores continham PFAS (cerca de 36% do total analisado). Seguem-se conectores e cabos, cada um com milhares de componentes identificados. Osciladores e produtos de RF também apresentaram mais de 1.000 componentes com PFAS. Estes são apenas os cinco grupos mais representativos, mas há mais de 270 outras categorias igualmente afetadas.
Infelizmente, estes números são apenas um ponto de partida para os fabricantes compreenderem a real extensão do uso de PFAS. A base de dados da Z2Data avalia apenas componentes standard disponíveis no mercado, o que significa que o número real de componentes em circulação com PFAS, incluindo peças personalizadas ou sem dados de fornecedor, é muito superior.
Para compreender a presença de PFAS em toda a cadeia de abastecimento, será fundamental solicitar informação adicional aos seus fornecedores.
Relatórios sobre PFAS: requisitos de reporte
As PFAS estão profundamente integradas na maioria dos setores da economia atual e é importante reconhecer o impacto destas substâncias na sua empresa e nos seus produtos. Embora algumas regras e regulamentos estejam ainda em fase de implementação, certos requisitos de reporte já são obrigatórios. A obrigação de reporte determinada pela EPA aplica-se a empresas com atividade nos EUA, mas tem também impacto significativo para empresas estrangeiras que fornecem clientes nos EUA. Os clientes nos EUA vão analisar as suas cadeias de abastecimento para recolher informação sobre PFAS este ano, dando especial atenção a fornecedores que não forneçam essa informação ou que incorporem PFAS nos seus produtos. Embora esta regra possa ser um requisito pontual, a regulamentação de substâncias PFAS irá continuar a crescer. Para saber mais sobre como garantir a conformidade neste contexto em evolução, incluindo questões de sourcing, gestão de dados e apoio de especialistas em conformidade, registe-se para um teste gratuito ou solicite uma demonstração da plataforma Z2Data.
É possível identificar PFAS nos seus eletrónicos?
A solução de software integral da Z2Data permite às empresas gerir eficazmente o desenvolvimento, a cadeia de abastecimento e a sustentabilidade dos respetivos produtos. Com base na base de dados de componentes mais abrangente do setor, a solução da Z2Data disponibiliza às equipas os dados críticos de que necessitam para garantir – e manter – a conformidade com regulamentos existentes como REACH e RoHS, bem como com as novas normas relacionadas com PFAS. Com a Z2Data, as equipas conseguem ver facilmente que componentes cumprem requisitos, quais não cumprem e quais merecem maior atenção – poupando tempo e esforço nos processos de conformidade.
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