A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., maior fabricante terceirizada de chips do mundo, vai aumentar os preços dos chips em até 20%. A United Microelectronics (UMC) também anunciou um reajuste próprio, elevando as cotações para processos de 28nm e 22nm. Os reajustes acontecerão em setembro e novembro de 2021, com novo ajuste previsto para janeiro de 2022.
Um terceiro fabricante de semicondutores sediado na China — a Semiconductor Manufacturing International (SMIC) — uniu-se à TSMC e UMC, aumentando seus preços para processos de 28nm e 40nm. Esse fabricante chinês continuará priorizando o atendimento de pedidos provenientes da China e oferece cotações mais altas para empresas sediadas no exterior — especialmente para companhias com base em Taiwan, segundo a DigiTimes Asia.
Por que aumentar os preços dos semicondutores?
No meio de uma significativa escassez de fornecimento, por que os fabricantes optam por elevar os preços dos chips? Para a TSMC, a resposta se divide em dois objetivos — um de longo e outro de curto prazo:
No longo prazo, preços mais altos geram mais receita líquida para que a TSMC possa investir agressivamente em nova capacidade produtiva.
No curto prazo, o aumento de preços reduz a demanda de clientes que não têm necessidade urgente por chips e preserva capacidade para quem realmente precisa dos componentes no momento.
Resumindo: impedir que clientes façam overbooking e aumentar o faturamento para expandir a capacidade futura.
E o plano da TSMC para fortalecer sua capacidade não é segredo. A empresa deverá investir até US$ 100 bilhões em novas fábricas e equipamentos nos próximos três anos, além de destinar recursos para pesquisa e desenvolvimento. Além das novas instalações no Arizona, o gigante dos semicondutores também vai expandir sua capacidade produtiva em Nanjing, na China.
A TSMC é responsável por 90% dos chips mais avançados do mundo e detém mais da metade da receita global do mercado de semicondutores. Por isso, não há muito que seus clientes possam fazer além de aceitar os reajustes e torcer para que TSMC e outros fabricantes ampliem a capacidade futura com o aumento de receita.
Aumentos de preços em nível recorde
Devido ao intervalo entre o desenvolvimento tecnológico, a construção de fábricas e a produção de novos chips, Jim Whitehurst — executivo da IBM — acredita que a atual escassez de chips deve durar pelo menos mais dois anos.
Com as foundries globais aumentando seus preços para os clientes, muitos desses reajustes estão sendo repassados ao consumidor final. Os preços de computadores e eletrônicos subiram a uma taxa anual de 2,5% neste verão do hemisfério norte — o maior aumento dos últimos dez anos.
Além dos aumentos de 10% a 40% nos preços de chips ao longo do último ano, outros componentes e materiais críticos também registraram altas. Os preços de alumínio, componentes eletrônicos/conjuntos, materiais de embalagem, plásticos, resinas e cobre também subiram neste ano.
Os aumentos não estão restritos aos semicondutores.
O custo médio dos componentes cresceu quase 15% no último ano, enquanto certos itens chegaram à marca de 40% de alta desde 2020.
Em um cenário onde a disponibilidade é prioridade absoluta, fornecedores e fabricantes continuam tendo vantagem sobre seus clientes.