Revisão das regulamentações ESG e ambientais de 2025 e perspectivas para 2026

2025 foi um ano decisivo para diretrizes de Sustentabilidade e ESG, com praticamente todas as regiões do mundo avançando novas regulamentações ou exigências.

Revisão das regulamentações ESG e ambientais de 2025 e perspectivas para 2026

Destaques do artigo:

  • Ao longo de 2025, investidores, instituições financeiras e outros stakeholders reforçaram essa tendência ao exigir evidências claras de que as empresas compreendem e controlam o risco ESG (ambiental, social e de governança) presente em suas redes de fornecedores. Nesse contexto, 2025 tornou-se um ano determinante, em que princípios ESG foram convertidos em obrigações concretas e sistêmicas de compliance.
  • Um dos avanços mais significativos foi a adoção formal da Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD – Diretiva de Diligência Devida de Sustentabilidade Corporativa). Enquanto as negociações políticas sobre o escopo e a proporcionalidade desse regulamento continuaram ao longo de 2025, o resultado final consolidou a diligência devida na cadeia de suprimentos no direito da União Europeia. 
  • O ano de 2025 também representou uma fase decisiva para o EU Deforestation Regulation (EUDR – Regulamento Europeu de Desmatamento). Durante o ano, autoridades confirmaram cronogramas de aplicação ajustados e esclareceram expectativas operacionais, impulsionando a preparação para compliance em larga escala nos setores impactados. 

2025 marcou uma mudança decisiva na forma como regulamentações ESG e ambientais são estruturadas, aplicadas e operacionalizadas, especialmente onde esses frameworks se conectam com cadeias de suprimentos globais. O que antes era visto como mera prestação de contas de sustentabilidade ou transparência corporativa, evoluiu para exigências obrigatórias que demandam gestão ativa dos riscos ambientais e sociais em toda a cadeia de valor. As regras para a cadeia de suprimentos não são mais periféricas às estratégias ESG; agora, estão no centro do compliance regulatório, governança de riscos e responsabilidade corporativa.

Essa transformação reflete um reconhecimento crescente, por parte dos reguladores, de que muitos dos impactos ambientais mais graves, violações de direitos humanos e riscos de compliance ocorrem fora das operações diretas das empresas. Como resultado, diligência devida na cadeia de suprimentos, supply chain risk management (SCRM — gestão de riscos na cadeia de suprimentos) e supply chain visibility (visibilidade da cadeia de suprimentos) tornaram-se expectativas regulatórias essenciais. Ao longo de 2025, investidores, instituições financeiras e outros stakeholders reforçaram essa tendência ao exigir evidências claras de que as empresas compreendem e controlam o risco ESG em suas redes de fornecedores. Nesse contexto, 2025 tornou-se um ano determinante, com princípios ESG transformados em obrigações concretas e sistêmicas de compliance.

Principais avanços regulatórios em 2025

Em 2025, os reguladores concentraram esforços menos na criação de novos conceitos de sustentabilidade e mais na finalização, operacionalização e alinhamento dos frameworks ESG e ambientais existentes, consolidando-os em regimes efetivamente aplicáveis. Essa consolidação essencialmente redefiniu como as empresas são obrigadas a encarar a diligência devida na cadeia de suprimentos, responsabilidade ambiental e integração à governança.

Um dos principais avanços foi a adoção formal da Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD). Apesar das negociações políticas sobre o alcance e a proporcionalidade da diretiva terem persistido até 2025, o resultado final consolidou a diligência devida na cadeia de suprimentos no direito da UE. O regulamento deixou claro que as empresas devem manter um sistema contínuo, baseado em risco, para diligência devida abrangendo impactos sobre direitos humanos e o meio ambiente em toda a cadeia de valor. Segundo a CSDDD, os requisitos ambientais vão além das questões climáticas, incorporando temas como poluição, substâncias perigosas, perda de biodiversidade e degradação de ecossistemas. Em conjunto, essas regras reforçam a percepção de que danos ambientais na cadeia de suprimentos são um risco de governança ESG — não apenas um problema restrito ao compliance.

Importante destacar que a CSDDD redefiniu a diligência devida como uma obrigação de governança. Espera-se que as empresas integrem o supply-chain risk management nas políticas, processos decisórios e estruturas de supervisão, deixando de tratar ESG como um simples relatório paralelo. Esse direcionamento, consolidado em 2025, reforçou que visibilidade sobre fornecedores de diferentes níveis, fluxos de materiais e exposição ambiental é fundamental para o compliance.

Regulamentação de Embalagens e Resíduos da UE 

Outro marco regulatório em 2025 foi a finalização do EU Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR – Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens). Ao substituir a diretiva anterior por um regulamento diretamente aplicável, a UE harmonizou as regras de sustentabilidade para embalagens e as exigências de extended producer responsibility (EPR – responsabilidade estendida do produtor) em todos os países membros. Essa mudança reposicionou a EPR para embalagens como um mecanismo central de governança ambiental, diretamente associado aos objetivos de ESG e à prestação de contas na cadeia de valor.

Pelo PPWR, a responsabilidade do produtor está explicitamente vinculada ao design da embalagem, composição do material, desempenho em reciclabilidade, percentual de conteúdo reciclado e impactos ao longo do ciclo de vida. Como consequência, o compliance em embalagens agora depende de dados confiáveis da cadeia de suprimentos — informações que muitas vezes estão distribuídas em múltiplos níveis. O PPWR operacionaliza a diligência devida ambiental ao transformar princípios ESG em obrigações mensuráveis e efetivas para embalagens, tornando a EPR peça integral da regulamentação ESG.

Regulamento Europeu de Desmatamento

2025 também marcou uma fase crítica para o EU Deforestation Regulation (EUDR – Regulamento Europeu de Desmatamento). Durante o ano, reguladores confirmaram cronogramas de aplicação revisados e detalharam expectativas operacionais, impulsionando a preparação para compliance em todos os setores impactados. Empresas passaram a implementar sistemas de rastreabilidade capazes de vincular commodities a origens em nível de propriedade rural, executar análises de risco por país e documentar medidas de mitigação. Essas ações reforçaram o papel do EUDR como um dos regimes de diligência devida ambiental mais rigorosos do mundo, e como contraponto conceitual próximo da CSDDD. Ao priorizar visibilidade da cadeia de suprimentos, classificação de riscos e documentação de medidas preventivas, o EUDR complementa de forma robusta a Corporate Sustainability Due Diligence Directive.

Ao priorizar visibilidade na cadeia de suprimentos, classificação de riscos e documentação de ações preventivas, o EUDR é um complemento robusto à Corporate Sustainability Due Diligence Directive.

O restante do panorama regulatório de 2025

A regulamentação ESG voltada para produtos também evoluiu em 2025 com o avanço do EU Batteries Regulation (EUBR). O regulamento avançou da aprovação legislativa para a implementação, tornando obrigatórias as práticas de diligência devida para materiais utilizados em baterias. Empresas passaram a alinhar o fornecimento de matérias-primas, conteúdo reciclado, dados de pegada de carbono e documentação de fornecedores aos frameworks de governança ESG. O EUBR ilustra a convergência acelerada entre requisitos ESG, desempenho ambiental e obrigações EPR no nível de produtos e materiais — deixando de ser uma exigência isolada de empresas individuais.

Além desses desenvolvimentos, 2025 também confirmou a aproximação entre frameworks ESG e regras ambientais tradicionais. Atualizações no EU REACH (regulamento de registro, avaliação, autorização e restrição de substâncias químicas) e nos regulamentos de Persistent Organic Pollutants reforçaram restrições a substâncias perigosas comumente presentes nas redes de fornecedores. Esses regimes funcionam cada vez mais como requisitos de dados para alimentar sistemas mais amplos de supply chain risk management e compliance ESG.

Fora da UE, a pressão regulatória sobre dados da cadeia de suprimentos e transparência de substâncias emergiu como tema-chave em determinadas regiões. Nos Estados Unidos, a Proposta 65 da Califórnia continuou ampliando listas de substâncias químicas e a atuação das autoridades, reforçando a expectativa de que as empresas mantenham conhecimento preciso sobre substâncias químicas ao longo de toda a cadeia — mesmo sem novas legislações. Ao mesmo tempo, leis estaduais de EPR para embalagens avançaram operacionalmente, incorporando a responsabilidade pelo ciclo de vida e a obrigatoriedade de reportar materiais à governança ambiental norte-americana.

Na Ásia, o China RoHS continuou impactando cadeias globais de suprimentos de eletrônicos por meio do gerenciamento de catálogos, exigências de marcação e pressões para alinhar-se às restrições da UE relativas a substâncias. Sem representar um novo marco regulatório, sua evolução contínua em 2025 reforçou a complexidade permanente da gestão de compliance de substâncias em redes globais de fornecedores.

Em todas as jurisdições, a principal característica de 2025 foi a consolidação regulatória. O objetivo dos policymakers foi esclarecer as interações entre regulamentações ESG, ambientais e de cadeia de suprimentos, reconhecendo os desafios de implementação em cadeias globais complexas. Esses esforços não suavizaram expectativas: ao contrário, reforçaram a exigência de que as empresas tenham sistemas confiáveis e proporcionais de diligência devida na cadeia de suprimentos, sustentados por dados transparentes e governança eficaz.

Gestão de Riscos e Diligência devida na prática

Com o amadurecimento dos frameworks regulatórios em 2025, a atenção voltou-se para a implementação. A diligência devida na cadeia de suprimentos agora é compreendida como um processo operacional contínuo — e não como um artefato estático de compliance. Na prática, esse processo exige das empresas que integrem políticas ESG à governança, mapeiem a cadeia de suprimentos, avaliem riscos ambientais e sociais, implementem medidas de mitigação, monitorem eficácia, promovam a remediação e relatem resultados de forma consistente e comprovável.

A diligência devida na cadeia de suprimentos é agora compreendida como um processo operacional contínuo, não mais um simples requisito estático de compliance.

Muitas organizações continuam enfrentando desafios estruturais para executar esse processo. As cadeias globais de suprimentos são complexas, fragmentadas e dinâmicas, com visibilidade limitada além dos fornecedores de primeiro nível. Lacunas de dados ainda são frequentes, especialmente para atributos ambientais como conteúdo químico, emissões, composição da embalagem ou impactos no uso da terra. Esses desafios se somam à maturidade desigual dos fornecedores e restrições de recursos.

Apesar de todos esses obstáculos já conhecidos, os reguladores esperam cada vez mais uma abordagem proporcional e baseada em riscos para o supply chain risk management. As empresas devem priorizar materiais, regiões e relações com fornecedores de maior risco, com metodologias documentadas e supervisão de governança. A visibilidade da cadeia de suprimentos tornou-se pré-requisito para cumprir as exigências de diligência devida sob normativas como CSDDD, PPWR, EUDR, EUBR, REACH e leis EPR.

Por que visibilidade na cadeia de suprimentos e governança ESG são essenciais

Os desenvolvimentos de 2025 deixaram claro: visibilidade na cadeia de suprimentos e governança ESG são elementos fundamentais para o compliance regulatório e a gestão de riscos corporativos. A transparência permite que as empresas identifiquem riscos ambientais — como exposição a substâncias perigosas, não conformidade de embalagens ou sourcing relacionado ao desmatamento — antes que se transformem em infrações regulatórias ou danos reputacionais. Ela também fortalece a proteção dos direitos humanos ao revelar riscos de trabalho ou fornecimento inseridos nos elos da cadeia de fornecedores.

Do ponto de vista estratégico, um supply chain risk management robusto aumenta a confiança de investidores, aprimora a resiliência e prepara as operações para mudanças regulatórias. Empresas que integram políticas ESG à governança do conselho, critérios de compras e engajamento de fornecedores estão mais preparadas para responder a regulamentações crescentes para a cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a governança ESG deve ser vista menos como um mero custo de compliance e mais como uma oportunidade para impulsionar resiliência a longo prazo e geração de valor.

Perspectivas para 2026: o que acompanhar

Olhando para 2026, a ênfase regulatória migrará da finalização legislativa para a fiscalização e maturidade operacional. O PPWR entra em vigor na União Europeia em agosto de 2026, ativando requisitos harmonizados para design de embalagens, rotulagem, reciclabilidade e EPR. Empresas que colocam produtos embalados no mercado europeu precisarão comprovar a conformidade com dados confiáveis da cadeia de suprimentos e processos de compliance documentados.

O EUDR também entra em sua fase de aplicação principal, exigindo de empresas grandes e médias que demonstrem rastreabilidade, avaliação de riscos e medidas de mitigação para commodities reguladas. Isso intensificará ainda mais a exigência de visibilidade na cadeia de suprimentos e diligência devida ambiental.

Ao mesmo tempo, avança a implementação da CSDDD rumo à fiscalização, com expectativa de que reguladores examinem a integração à governança, metodologias de priorização de riscos e evidências de mitigação significativa ao longo de toda a cadeia de valor. Regimes ESG específicos de produto, como o EU Batteries Regulation, seguirão implementando obrigações adicionais de diligência e reporte, reforçando a convergência entre EPR, regulamentação ambiental e governança ESG.

Nos Estados Unidos, programas estaduais de EPR avançarão nas fases de reporte, enquanto exigências de reporte de PFAS sob a TSCA e medidas relacionadas ao gerenciamento de riscos aumentarão a pressão sobre as empresas para centralizar dados de fornecedores e substâncias químicas. Globalmente, regimes como a California Prop 65 e o China RoHS continuarão evidenciando a necessidade de sistemas de dados harmonizados para a cadeia de suprimentos, capazes de sustentar múltiplas regulamentações simultaneamente.

Recomendações para o próximo ano

Os avanços regulatórios de 2025 comprovaram que ESG e diretrizes ambientais agora estão estruturalmente conectadas à responsabilização da cadeia de suprimentos. Frameworks como CSDDD, PPWR, EUDR e EUBR demonstram como diligência devida na cadeia, extended producer responsibility e compliance ambiental deixaram de ser disciplinas isoladas para atuarem como mecanismos interconectados, projetados para gerir riscos de ciclo de vida e promover melhores resultados de sustentabilidade.

Com a intensificação da fiscalização em 2026, empresas que fortalecem de forma proativa a visibilidade da cadeia de suprimentos, formalizam processos de gestão de riscos e incorporam a governança ESG nas operações centrais estarão mais preparadas para enfrentar a complexidade regulatória. As prioridades imediatas devem incluir o avanço no mapeamento da cadeia, o alinhamento de dados de EPR e de produtos com sistemas ESG de diligência devida, a integração da gestão ESG na governança e investimentos em ferramentas escaláveis para coleta e monitoramento de dados de fornecedores.

Empresas que desejam alcançar esse nível de sinergia entre visibilidade da cadeia de suprimentos, diligência devida de fornecedores e dados em nível de materiais encontram na Z2Data uma ferramenta poderosa. O software SCRM oferece para as organizações mapeamento multinível da cadeia, análise abrangente de risco de fornecedores e dados sobre mais de um bilhão de componentes, entre outras funcionalidades. E a equipe de suporte ao cliente, referência no setor, auxilia empresas a navegar pelo cenário regulatório cada vez mais complexo com confiança e assertividade.

Para saber mais sobre a Z2Data e os recursos disponíveis no Compliance Manager, solicite um teste gratuito com um de nossos especialistas em produtos.