Em destaque:
- Decreto presidencial não é uma «solução rápida» para as atuais escassezes de componentes eletrónicos
- Procura reforçar as cadeias de abastecimento dos EUA para o futuro
- As empresas podem gerir a escassez de fornecimento através de medidas proativas
O Presidente Biden deverá assinar hoje um decreto presidencial para impulsionar a produção americana nos setores automóvel, eletrónico, farmacêutico e energético.
A medida surge em resposta à atual escassez de semicondutores que está a afetar empresas automóveis nos EUA e a nível mundial.
No entanto, responsáveis dos EUA afirmam que a ordem não será uma solução imediata. O objetivo é proteger as empresas americanas de futuras ruturas, reforçando a produção e o aprovisionamento dentro do país.
Prevê-se que seis setores venham a ser alvo de análises ao longo de um ano, enquanto quatro classes de produtos serão revistas num prazo de 100 dias. As quatro classes de produtos são as seguintes:
- Chips informáticos
- Baterias de alta capacidade
- Produtos farmacêuticos e os seus princípios ativos
- Minerais críticos e estratégicos — como as terras raras
As análises realizadas irão determinar o plano de ação a adotar para reforçar as cadeias de abastecimento nos EUA. Por exemplo, se a análise à cadeia de abastecimento de chips indicar um elevado risco para as empresas americanas, as autoridades irão encorajar as empresas a transferir as suas cadeias de abastecimento da China para os EUA ou para países aliados.
Um responsável sénior esclareceu que construir cadeias de abastecimento resilientes não implica transferir toda a produção para os EUA. Mover toda a produção para os EUA poderia gerar descontentamento junto de parceiros como o Canadá e a União Europeia — situação já vivida quando Biden limitou o fornecimento estrangeiro ao governo norte-americano numa ordem anterior.
Este novo decreto presidencial não visa qualquer país em concreto, mas várias análises especulam que representa mais um passo para combater o crescente poder económico da China.
A China domina atualmente a cadeia de abastecimento global em múltiplos mercados:
- Terras raras
- Materiais médicos
- Semicondutores
Além disso, a China tem investido na sua produção de tecnologias emergentes, como veículos elétricos e equipamento de telecomunicações avançado. Cresce a preocupação nos EUA de que Pequim possa, a qualquer momento, suspender as exportações para os EUA.
Em resposta, legisladores norte-americanos estão a preparar novos pacotes legislativos com o objetivo de «superar a China e criar novos empregos americanos», segundo o líder do Senado, Chuck Schumer.
Além de reforçar a capacidade de produção de semicondutores, a nova legislação pretende ainda impulsionar a produção nos seguintes domínios:
- 5G
- Inteligência artificial
- Investigação biomédica
- Computação quântica
- Armazenamento
Apesar de a ordem executiva representar um passo positivo para reforçar as cadeias de abastecimento de eletrónica nos EUA, é essencial que as empresas de eletrónica continuem a investir em estratégias proativas de resiliência da cadeia de abastecimento.