Principais pontos do artigo:
- Se existe um dado fundamental que as empresas devem conhecer para compreender a sua exposição a tarifas aduaneiras — e quais as ações possíveis para a mitigar — é o país de origem.
- O termo país de origem, ou «COO» (Country of Origin), refere-se ao país onde um determinado artigo foi originalmente fabricado e produzido. A classificação COO nos bens importados aciona tarifas aduaneiras específicas, taxas e outras regras alfandegárias.
- A Z2Data ajuda as empresas a acompanhar o seu COO, permitindo o acesso imediato ao país de origem de mais de mil milhões de componentes standard, incluindo passivos, semicondutores, conectores, entre outros.
- Como é possível visualizar todos os países de origem de uma determinada referência (MPN) na base de dados da Z2Data, os importadores podem utilizar esta informação para transferir as suas cadeias de abastecimento para unidades fabris situadas em países com taxas aduaneiras inferiores. Este tipo de informação nem sempre é fornecido de livre vontade pelos fornecedores, e o acesso à mesma representa o primeiro passo no trabalho com fabricantes para criar cadeias de abastecimento mais vantajosas.
O último ano transformou a forma como os importadores e os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) abordam o sourcing e as cadeias de abastecimento. Nos primeiros anos desta década, muitas empresas estavam sobretudo focadas em minimizar riscos geopolíticos. Tal ficou patente na amplamente discutida estratégia China+1 — a ideia de que as empresas precisavam de construir bases de produção alternativas fora da China, devido aos riscos inerentes a uma excessiva dependência deste país rival. No auge do China+1, as empresas estavam a transferir o sourcing para países como o Vietname, a Tailândia, a Malásia e a Índia, apostando em mercados com polos industriais emergentes e mão de obra capaz e motivada.
Mas 2025 veio alterar tudo isto. Ao entrar no quarto trimestre do ano, as empresas concentram-se principalmente nas tarifas aduaneiras e nas restantes medidas comerciais impostas pela administração Trump. Caso já tenha perdido o fio à meada, os EUA aplicam agora tarifas substanciais a vários países-chave do setor industrial, nomeadamente:
Mas 2025 veio alterar tudo isto. Ao entrar no quarto trimestre do ano, as empresas concentram-se principalmente nas tarifas aduaneiras e nas restantes medidas comerciais impostas pela administração Trump.
- China: Tarifa de 30% atualmente em vigor, com tarifas recíprocas adicionais adiadas até novembro de 2025.
- União Europeia: Tarifa transversal de 15%, acrescida de uma tarifa setorial de 50% sobre importações de aço, alumínio e cobre.
- Índia: Tarifa recíproca de 25%, acrescida de mais 25% como penalização pela aquisição de petróleo russo.
- Vietname: Tarifa transversal de 20%.
Com os importadores a pagar mais 15%, 20% ou mesmo 50% para importar produtos, componentes e subconjuntos, não admira que o atual cenário tarifário tenha superado outros fatores como variável preponderante no risco global das cadeias de abastecimento. E se existe um dado fundamental que as empresas devem conhecer para compreender a sua exposição a tarifas — e as possíveis medidas para a mitigar — é o país de origem.
O que é o país de origem (COO)?
O termo país de origem, ou «COO» (Country of Origin), refere-se ao país onde determinado artigo foi originalmente produzido e fabricado. O país de origem de uma mercadoria é relevante devido às suas consequências comerciais e no processo de importação. A classificação COO nos produtos importados aciona tarifas, taxas específicas e outras regras alfandegárias.
Atualmente, muitos bens são fabricados em vários países. Os semicondutores, por exemplo, podem ser projetados num país, fabricados noutro e enviados para um terceiro para montagem e embalagem.
Quando existem várias localizações de fabrico, os EUA classificam o COO com base no local onde ocorre a «transformação substancial» final. Como salientou o experiente advogado de comércio internacional John M. Peterson num artigo recente na Vanderbilt Law Review, «Historicamente, os tribunais defendem que um bem tem origem, para efeitos de rotulagem, no último país onde sofreu uma ‘transformação substancial’ antes de ser importado para os Estados Unidos.»
Quando existem várias localizações de fabrico, os EUA classificam o COO com base no local onde ocorre a «transformação substancial» final.
O que significa «transformação substancial»?
Transformação substancial é um termo oficial que define uma alteração significativa de um artigo ou produto. «Transformação substancial significa que o bem sofreu uma mudança fundamental a nível de forma, aparência, natureza ou características», explica a International Trade Administration (fonte). «Além disso, esta alteração deve aumentar significativamente o valor do produto — um montante ou percentagem relevante face ao valor que o bem (ou os seus componentes) tinha ao ser exportado do país onde foi inicialmente fabricado ou produzido.»
Ou seja, para ser considerada uma transformação substancial — e, assim, dar origem a um novo país de origem — a alteração deve mudar fundamentalmente o produto e aumentar o seu valor de forma significativa.
Ou seja, para ser considerada uma transformação substancial — e, assim, dar origem a um novo país de origem — a alteração deve mudar fundamentalmente o produto e aumentar o seu valor de forma significativa.
Porque é o COO tão relevante para os importadores em 2025?
Para as empresas nos EUA, compreender o COO das suas importações tornou-se um elemento crítico da gestão diligente do risco nas cadeias de abastecimento (SCRM). Existem várias razões para o país de origem ser uma prioridade máxima em 2025.
- Determinação das taxas aduaneiras: O motivo mais evidente para o COO ter tanta relevância em 2025 é o novo cenário de tarifas. A administração Trump impôs tarifas a países de todo o mundo, incluindo taxas relevantes sobre alguns dos principais parceiros comerciais dos EUA. As empresas que pretendem compreender as suas obrigações tarifárias, e quanto estão a pagar atualmente à Customs and Border Protection (CBP) pela importação de mercadorias e componentes específicos, precisam de conhecer o país de origem das suas importações.
- Compreender tensões geopolíticas e riscos de tarifas: Todos os que têm acompanhado as políticas comerciais da administração Trump ao longo do último ano percebem quão dinâmicas — e muitas vezes imprevisíveis — têm sido estas alterações. Por esse motivo, as empresas que pretendem manter uma gestão de risco eficaz e evitar custos excessivos precisam de saber mais do que apenas as tarifas em vigor. Devem também identificar onde está a maior parte do seu risco tarifário. Por exemplo, embora a tarifa atual sobre a China seja 30% — relativamente moderada comparando com taxas que foram aplicadas anteriormente este ano — qualquer análise do contexto geopolítico mais alargado sugere que essa taxa será temporária. Conhecer o país de origem das importações permite às empresas identificar onde poderá residir a exposição a futuras subidas tarifárias.
- Identificação de diferenças de custos entre países: Embora as tarifas dos EUA sobre a maioria dos países tenham subido face a 2024, estas taxas não são aplicadas de forma uniforme. Todos os bens abrangidos pelo USMCA (Acordo EUA-México-Canadá), por exemplo, estão isentos de tarifas, o que resulta atualmente numa taxa de 0%. Por outro lado, artigos importados da Índia estão sujeitos a uma tarifa de 50%. Empresas que consigam analisar todo o cenário dos países de origem poderão identificar disparidades significativas e, potencialmente, encontrar oportunidades para modificar o sourcing e eliminar custos aduaneiros elevados.
Como ajuda a Z2Data as empresas a acompanhar o COO e gerir os riscos associados?
A Z2Data apoia as empresas na monitorização do país de origem dos seus componentes, disponibilizando-lhes acesso imediato ao COO de mais de mil milhões de componentes standard — incluindo passivos, semicondutores, conectores, entre outros. A informação sobre COO é apresentada na página de perfil do componente, juntamente com outros dados críticos como localizações de fabrico, o estado de conformidade REACH e RoHS, referências alternativas disponíveis e detalhes paramétricos relevantes.
As equipas podem utilizar a Z2Data para identificar rapidamente o país de origem de uma determinada referência única (MPN) em um ou vários produtos. Basta carregar uma lista de materiais (BOM) e a Z2Data compara as MPNs com a sua base de dados, devolvendo a informação de COO. Para as equipas responsáveis por identificar os países de origem de componentes usados em produtos novos ou existentes, a Z2Data poupa horas de pesquisa manual e contacto com fornecedores. Todos os dados de COO são validados por IA e investigadores humanos antes de serem integrados na base de dados, garantindo precisão.
Em casos de componentes com várias MPNs
Em muitos casos, uma MPN poderá corresponder a vários países de origem. Isto acontece porque certos fabricantes produzem componentes específicos em várias fábricas espalhadas por diferentes países. Um fornecedor internacional pode, por exemplo, produzir uma quantidade dos seus condensadores na China, Japão e México. Porque é que isto é relevante para importadores e OEMs norte-americanos? Porque conhecer todos os países de origem de um componente é uma informação acionável, facultando às empresas conhecimento que pode ser usado estrategicamente.
A Z2Data reflete estas particularidades ao apresentar os vários países de origem de uma mesma MPN na sua página de detalhes. Numa lista de materiais completa, é possível ver todos os países de origem por componente — incluindo dependências de um único país — o que facilita a identificação de componentes com maior exposição ao COO. Isto permite às equipas perceber exatamente onde os seus componentes estão — ou podem estar — a ser fabricados, algo essencial na gestão do risco associado às tarifas.
Por exemplo, se um fornecedor de nível 1 produz um componente tanto na China como na UE, o importador norte-americano terá interesse em receber apenas as peças provenientes da UE (onde a tarifa é de 15%, metade da aplicada à China). A Z2Data permite às empresas identificar esta informação e agir para reduzir riscos e custos associados a determinados países de origem.
Determinação do COO e COD em semicondutores
Os semicondutores têm um processo de fabrico específico, e a Z2Data reflete isso no perfil de cada componente. Os semicondutores são frequentemente fabricados inicialmente num local — designado por país de difusão (COD) — e depois enviados para outra unidade para a montagem do CI, designada como país de montagem (COA).
Durante muitos anos, os EUA utilizaram o COA — geralmente o local da derradeira transformação substancial — como critério oficial de COO para efeitos aduaneiros, mas essa regra evoluiu ao longo da década de 2020. Atualmente, o país de difusão tende a ser considerado o local de origem do componente e, por isso, o critério válido de COO para a determinação da tarifa.
No entanto, pode existir alguma «opcionalidade tarifária» relativamente ao COO/COD/COA de um semicondutor. Empresas dotadas de mais dados sobre a origem e fabrico dos seus semicondutores importados poderão tirar partido dessa informação. Esta «opcionalidade tarifária» é precisamente algo que muitos importadores norte-americanos continuam a explorar, na tentativa de refinar a sua abordagem aos parâmetros do regime atual e de encontrar «engenharia tarifária» possível.
A Z2Data ajuda os clientes a navegar por estas regras ao fornecer o máximo de informação possível sobre as localizações de fabrico dos chips. Na plataforma Z2Data, cada referência de semicondutor (MPN) inclui:
- País de origem
- País de fabrico
- País de montagem
Dependendo da posição adotada pela CBP e pelo governo federal, o país de origem poderá ser considerado o país de montagem ou o país de difusão. Os juízes da CBP analisam regularmente alegações de importadores que pretendem justificar as suas declarações de COO, sendo que os precedentes estabelecidos podem alterar a forma como este critério é aplicado. Dada esta fluidez, aceder facilmente a dados fidedignos sobre ambos os critérios de origem é um recurso valioso para empresas que procuram alcançar uma cadeia de abastecimento mais resiliente.
Deixe a Z2Data ajudar a tirar partido do COO
Numa era em que o comércio internacional está fortemente regulado e em que o governo dos EUA arrecada mais de 30 mil milhões de dólares por mês em receitas aduaneiras, saber de onde vêm as importações tornou-se fundamental. Mas os dados COO não são apenas números estáticos para introduzir em folhas de cálculo de custos operacionais. As empresas podem, de facto, usar a inteligência sobre o país de origem em seu benefício, agindo sobre os dados para ajustar cadeias de abastecimento e reduzir custos. A Z2Data pode ajudar.
Os negócios podem utilizar a informação sobre COO existente na base de dados de componentes da Z2Data para compreender as suas responsabilidades tarifárias atuais e antecipar riscos futuros (ou seja, peças provenientes de países vulneráveis a novas ou maiores tarifas). E a utilidade do SCRM vai além disso: ao permitir ver todos os COO de uma referência específica, os importadores podem usar estes dados para transferir a produção para fábricas situadas em países com taxas aduaneiras mais baixas. Este tipo de informação nem sempre é disponibilizado pelos fornecedores, e o acesso à mesma é o primeiro passo para trabalhar com fabricantes na criação de cadeias de abastecimento mais competitivas em termos financeiros.
Face às pressões de custos do contexto industrial global atual, cada vantagem — seja significativa, marginal, ou intermédia — conta. Os dados multifactoriais da Z2Data sobre COO oferecem uma perspetiva e contexto capazes de potenciar essa vantagem competitiva. Para descobrir mais sobre a Z2Data e de que forma a inteligência sobre COO pode ajudar a sua organização a compreender a exposição tarifária e opções de mitigação, marque um teste gratuito com um especialista em produto.