Os semicondutores são uma boa opção de carreira?

Que tipos de percursos profissionais estão disponíveis para estudantes e profissionais que pretendem ingressar no setor dos semicondutores em rápido crescimento nos Estados Unidos?

Os semicondutores são uma boa opção de carreira?

Os semicondutores são produtos desenvolvidos a partir de elementos como o silício e o germânio, com um conjunto único de propriedades elétricas que lhes permite desempenhar um papel fundamental na eletrónica moderna. As suas várias funções — incluindo o controlo da corrente elétrica, a amplificação de sinais e a comutação — tornam-nos partes essenciais de tudo, desde smartphones, portáteis e eletrodomésticos a automóveis, centros de dados e sistemas militares avançados. Os semicondutores, também conhecidos como microchips ou circuitos integrados (ICs), estão tão disseminados na vida contemporânea que, atualmente, há cerca de 100 mil milhões em utilização ativa — o mesmo número de estrelas que existe em toda a Via Láctea. 

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Apesar de relativamente poucas pessoas terem consciência dos semicondutores e do número crescente de aplicações possíveis, praticamente todos os que vivem numa sociedade tecnologicamente avançada utilizam-nos diariamente, de uma forma ou de outra. Isto significa, naturalmente, que centenas de milhões de pessoas em todo o mundo estão a gastar dinheiro para os adquirir. 

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Por que Razão a Indústria dos Semicondutores Está em Rápido Crescimento

O mercado global dos semicondutores é um dos setores com crescimento mais rápido a nível mundial. Há menos de 15 anos, em 2010, o setor alcançou na altura um valor recorde de receitas: 298 mil milhões de dólares. Em pouco mais de uma década, até 2022, esse valor quase duplicou para cerca de 600 mil milhões de dólares. (A título de comparação, as receitas totais do mercado global de smartphones nesse mesmo ano rondaram os 500 mil milhões de dólares.) Apesar de anos de crescimento acelerado, o setor continua sem sinais de abrandamento. A ascensão da «Internet das Coisas» (IoT) e a transformação, em vários setores, de residências, wearables e infraestruturas críticas em dispositivos inteligentes com conectividade irão continuar a impulsionar a procura de chips. Além disso, a adoção massiva de IA no panorama empresarial requererá uma nova geração de semicondutores de última geração — incluindo unidades de processamento gráfico (GPUs) — para ajudar estes programas a processar enormes volumes de dados, fundamentais para o seu funcionamento eficiente. 

Devido a estas tendências emergentes e às múltiplas funcionalidades que os microchips já desempenham num mundo imerso em dispositivos eletrónicos e fascinado pela digitalização, a indústria dos semicondutores está posicionada para continuar a sua expansão exponencial. De acordo com algumas estimativas, o setor deverá registar uma taxa de crescimento anual composta de cerca de 8% até ao final da década, colocando-o a caminho de se tornar uma indústria de um bilião de dólares até 2030. 

Oportunidades Crescentes para Técnicos de Semicondutores

De forma geral, existem dois percursos profissionais principais para quem pretende ingressar na indústria dos semicondutores: a função de técnico e a função de engenheiro. 

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O Percurso para Técnicos de Semicondutores

Os técnicos de semicondutores são os profissionais que integram as equipas das fábricas e unidades de fabrico dos produtores de chips. Estão sobretudo envolvidos na produção e nos testes de materiais e hardware semicondutores, incluindo lâminas (wafers), circuitos, embalamento e o equipamento de ponta essencial para a produção em série de microchips e componentes associados. A categoria de técnico de semicondutores abrange várias funções especializadas, entre as quais técnicos de processos, técnicos de produção e técnicos de equipamento. 

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Qualificações Académicas para Técnicos de Semicondutores

Quem pretenda seguir uma destas profissões precisa, no mínimo, de um curso superior de curta duração (associate degree) em eletrónica, microeletrónica ou engenharia elétrica. Estes cursos, habitualmente com dois anos de duração, são frequentemente ministrados em institutos politécnicos, escolas técnicas ou programas profissionais, e incluem geralmente uma formação prática intensiva e o desenvolvimento direcionado de competências muito específicas do setor dos semicondutores. 

No entanto, um associate degree não é o único percurso viável para quem pretende tornar-se técnico de semicondutores. Obter uma licenciatura numa destas áreas pode posicionar o candidato de forma mais competitiva numa indústria dinâmica, em rápida evolução e cada vez mais especializada. 

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As Múltiplas Funções dos Engenheiros de Semicondutores 

Para quem está razoavelmente familiarizado com o setor, não será novidade afirmar que os engenheiros são o elemento central desta indústria. São responsáveis pelo design, desenvolvimento e teste de dispositivos semicondutores, ICs e embalamento elétrico, desempenhando um papel decisivo em praticamente todas as fases da cadeia de abastecimento da produção. Talvez mais importante ainda, estes profissionais lideram aqueles que são, provavelmente, os dois processos mais cruciais na produção de chips: fabrico de lâminas (wafer fabrication) e montagem de ICs. Cada uma destas etapas é constituída por um conjunto sofisticado e rigoroso de processos que requerem vasta experiência em microeletrónica e um conjunto abrangente de competências que só podem ser aperfeiçoadas no contexto destas instalações. 

Qualificações Académicas para Engenheiros de Semicondutores

Há vários tipos de engenheiros que trabalham em microeletrónica, incluindo engenheiros de materiais, projetistas de circuitos integrados e engenheiros de processos. Embora os requisitos específicos variem de função para função, estas posições pedem normalmente formação superior em áreas como ciência dos materiais, engenharia elétrica ou física aplicada, ao nível de licenciatura ou mestrado. Aqueles especialmente interessados em I&D no setor devem considerar um doutoramento (PhD), aproveitando para desenvolver projetos de investigação diretamente ligados à atividade profissional pretendida. (Os empregadores poderão valorizar não só o grau académico obtido, como também a relevância curricular e científica para as funções específicas pretendidas pela empresa.)

Universidades com Programas em Engenharia de Semicondutores

Dado que são ainda relativamente poucos os programas académicos especialmente dedicados à engenharia de semicondutores, os estudantes interessados em desenvolver um percurso académico ajustado a uma carreira neste setor deverão considerar instituições com departamentos de referência nas áreas mencionadas. Entre elas contam-se universidades como a Stanford University, Northwestern University, University of Pennsylvania e Massachusetts Institute of Technology. 

Importa referir, contudo, que nos últimos anos algumas instituições reforçaram significativamente a aposta em microeletrónica e produção de semicondutores. Em 2022, por exemplo, o College of Engineering da Purdue University lançou novos cursos centrados nesta área, incluindo uma especialização de pós-graduação em microeletrónica e semicondutores avançados — integrada na Elmore Family School of Electrical and Computer Engineering da universidade — e um mestrado em ciências com a mesma especialização. 

Com o apoio de uma série de subvenções atribuídas pela Intel, a Ohio State University lançou recentemente uma iniciativa multi-institucional: o Center for Advanced Semiconductor Fabrication Research and Education (CAFE). Com o objetivo de reforçar o pipeline de talentos para o setor dos semicondutores no Midwest, o CAFE está a reformular o currículo das várias opções da escola de engenharia da universidade, proporcionando aos estudantes maior contacto com a área dos semicondutores. Os novos programas académicos darão ênfase às etapas de fabrico, às ferramentas de produção e aos materiais de embalamento. O centro está igualmente a criar estágios, bolsas de estudo e outros programas de formação, visando oferecer aos futuros engenheiros experiência prática em processos críticos como conceção de semicondutores, síntese e caracterização de materiais. 

Embora uma formação académica de base em ciência ou engenharia constitua um alicerce razoável para uma carreira como engenheiro de semicondutores, obter um grau numa universidade com experiência comprovada em investigação e formação no setor pode ser uma vantagem crucial. A combinação de experiência prática, um diploma altamente valorizado pelos empregadores e oportunidades de networking num ecossistema universitário ligado ao setor contribui para uma vantagem competitiva que pode acelerar a trajetória profissional de qualquer recém-licenciado. 

Panorama da Indústria de Fabrico de Semicondutores nos EUA

Entre o crescimento projetado do setor para a segunda metade da década e os efeitos impulsionadores do CHIPS Act, que se farão sentir durante vários anos, as perspetivas para a indústria dos semicondutores continuam sólidas. De acordo com estimativas da Semiconductor Industry Association, prevê-se que a força de trabalho do setor nos EUA aumente em aproximadamente 115 000 postos até 2030. Isto representa uma expansão acelerada de 33% em apenas alguns anos e uma explosão de novas oportunidades para diplomados qualificados. As funções mais procuradas incluirão técnicos, cientistas da computação e engenheiros com formação de licenciatura, mestrado ou doutoramento. 

Chips and Science Act Grants Graphic

Mais ainda, face às atuais taxas de conclusão dos cursos superiores nos EUA, mais de metade destes novos postos poderá ficar por preencher. Embora tal represente um risco para a indústria americana e as suas ambições de captar uma maior quota deste setor crítico e altamente lucrativo, pode acabar por beneficiar os novos profissionais, gerando um mercado de trabalho restrito e muito favorável aos trabalhadores. 

Onde Serão Criados Estes Novos Empregos em Semicondutores?

Grande parte destas dezenas de milhares de novos empregos estará concentrada nos principais polos norte-americanos de produção de semicondutores. Por vezes designado «Silicon Desert», o Arizona continuará a ser um epicentro dinâmico do setor ao longo da década. O estado acolhe atualmente instalações operadas pela Intel, Microchip Technology e Onsemi. A TSMC também se implantou recentemente no enclave fabril do sudoeste, estando a construir três novas unidades fabris na área de Phoenix. A Costa Oeste tem igualmente uma influência de relevo em todos os níveis da indústria, com empresas como Intel, Nvidia, Micron Technology e Infineon — entre outras — representadas na Califórnia, Oregon ou Washington. Por fim, no outro extremo do país, uma constelação de fábricas, unidades fabless e centros universitários de investigação e desenvolvimento encontra-se dispersa entre Nova Iorque e Massachusetts, onde empresas como a GlobalFoundries, IBM e Wolfspeed mantêm operações. 

Tradicionalmente, as profissões ligadas ao setor dos semicondutores têm permanecido na sombra de carreiras aparentemente mais prestigiosas e visíveis no setor tecnológico, como engenheiros de software, programadores e cientistas de dados. Contudo, graças ao papel cada vez mais fundamental dos microchips em todos os domínios da vida moderna e à sua crescente relevância para a segurança nacional e a estratégia geopolítica, essa perceção está a mudar. Entre o impacto económico da recente escassez de semicondutores e o subsequente reforço do investimento público, com o objetivo de dinamizar a cadeia de abastecimento nacional, o setor perdeu o seu carácter obscuro e passou a ser tema de destaque no debate público. Após décadas fora do radar, a sua proximidade ao centro das atenções nunca foi maior. Estes fatores são um reflexo claro da ascensão do setor e da sua crescente rentabilidade — condições ideais, poder-se-ia argumentar, para uma carreira estável, gratificante e bem remunerada.