O que é DFARS? Definição, conformidade e mais

O que é DFARS e como ele impacta fornecedores que vendem para o governo dos EUA?

O que é DFARS? Definição, conformidade e mais

“Ah não, mais um acrônimo…”

Quando o assunto é regulamentação, existem muitos acrônimos por aí — e nem sempre é fácil acompanhá-los. RoHS, REACH, DFARS, TSCA… essa lista só aumenta conforme novas normas entram em vigor a cada ano. 

Desta vez vamos falar sobre DFARS, então vamos lá. 

O que é DFARS?

O acrônimo DFARS significa Defense Federal Acquisition Regulation Supplement.

O que isso quer dizer? Trata-se de um conjunto adicional de regulamentos que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) adicionou ao Federal Acquisition Regulation (FAR). O FAR é um conjunto geral de regras para aquisições e compras governamentais implementado nos anos 1980. O DFARS veio depois, complementando o FAR ao estabelecer requisitos específicos para aquisições voltadas à defesa. Em outras palavras, o DFARS regula como o governo dos EUA adquire bens e serviços para fins militares ou de defesa. 

Qual é o objetivo do DFARS?

De acordo com o Acquisition.gov, o principal objetivo do DFARS é adquirir materiais e serviços de qualidade que atendam às necessidades dos usuários, com melhorias mensuráveis para a capacidade de missão e o suporte operacional, a um preço justo e razoável. Além disso, o DFARS existe para gerenciar os investimentos dos Estados Unidos em tecnologias, programas e suporte a produtos necessários para atender à estratégia de segurança nacional e apoiar as Forças Armadas do país. 

Se olharmos para os anos 1980, podemos ver como essas regulamentações surgiram e qual era sua intenção. Em 1º de abril de 1981, o FAR substituiu o Federal Procurement Regulation (FSR) com o objetivo de criar um conjunto unificado e abrangente de normas para compras governamentais. O FAR tratava de tudo, desde o planejamento da aquisição e tipos de contratos até padrões de segurança ambiental, propriedade intelectual e muito mais. No entanto, o Departamento de Defesa rapidamente percebeu que compras relacionadas à defesa envolviam complexidades adicionais, como tecnologias sensíveis e questões de segurança nacional. Assim nasceu o DFARS. 

Hoje, o DFARS é continuamente atualizado para refletir desafios modernos como a cibersegurança, além do cenário em constante evolução nas práticas de segurança nacional e compras governamentais. Alguns dos seus principais objetivos incluem:

  • Segurança nacional
  • Compras justas e competitivas
  • Alinhamento com políticas nacionais
  • Garantia de qualidade e responsabilidade 
dfar compliance regulations

Quem é impactado pelo DFARS?

O DFARS afeta uma grande variedade de partes interessadas, desde empresas contratadas diretamente pelo Departamento de Defesa dos EUA até subcontratados e prestadores de serviços de suporte. Os contratados de defesa são o grupo mais diretamente impactado, o que inclui fabricantes de equipamentos militares, prestadores de serviços de TI e muito mais. Subcontratados e fornecedores também podem ser influenciados pelo DFARS, especialmente se os contratantes principais exigirem cláusulas específicas do DFARS. Outros afetados incluem equipes jurídicas e de compliance, gerentes de programas e auditores dentro das empresas contratadas.

Além dos stakeholders, o DFARS tem impacto direto sobre diversos setores-chave, incluindo:

  • Aeroespacial e Defesa
  • TI e Cibersegurança
  • Manufatura e Engenharia
  • Construção e Infraestrutura
  • Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos
  • Consultoria

Quais bens, serviços e materiais o DFARS abrange?

Equipamentos militares

Todos os bens e materiais utilizados no processo de fabricação de equipamentos militares estão sujeitos às normas DFARS. Isso inclui veículos militares, armas, aeronaves, suprimentos médicos, equipamentos de comunicação e muito mais. É fácil imaginar os diversos materiais necessários para fabricar esses itens — e sim, todos eles devem cumprir padrões e regulamentos específicos graças ao DFARS. 

Por exemplo, o DFARS 252.225-7009 regula a aquisição de determinados metais, garantindo que sejam adquiridos de forma responsável para atender às necessidades de segurança nacional. Isso inclui metais especiais como titânio, tântalo e tungstênio, entre outros. Já o DFARS 252.225-7030 reflete o compromisso do governo dos EUA com a integridade e segurança da cadeia de suprimentos de aço essencial utilizado em fabricação para defesa, abrangendo chapas de aço carbono, ligas e aços para blindagem, além da proibição de determinados itens de aço produzidos no exterior.

Tecnologia e Cibersegurança

Ao falar de equipamentos militares, armas e veículos costumam ser os primeiros itens que vêm à mente. Porém, tecnologia, software e cibersegurança são ferramentas igualmente importantes para a segurança nacional — e, sim, também são reguladas pelo DFARS. Essas normas abordam questões de cibersegurança e propriedade intelectual para combater ameaças digitais, além dos materiais e componentes físicos. 

Por exemplo, se uma empresa fornece programas de computador ou serviços de cibersegurança para o setor militar, o DFARS exige que sejam seguidos padrões específicos de segurança, como a proteção de informações sensíveis. As mesmas regras também se aplicam às empresas de telecomunicações que prestam serviços de comunicação ao DoD.

Informações Não Classificadas Controladas (CUI)

Relacionada intimamente à cibersegurança, CUI significa Controlled Unclassified Information (Informações Não Classificadas Controladas) e refere-se a informações não classificadas que exigem salvaguardas. Isso pode incluir dados sensíveis ligados à segurança nacional, privacidade e outros temas críticos. 

O DFARS conta com diversas cláusulas ligadas à proteção de Controlled Unclassified Information (CUI), como a DFARS 252.204-7012. Essa cláusula obriga os contratados a protegerem a CUI ao lidar com informações relacionadas à defesa. Além disso, exige-se a implementação de medidas de segurança específicas, descritas na publicação National Institute of Standards and Technology (NIST) Special Publication 800-171, quando se trata da proteção de CUI.

Como manter a conformidade com o DFARS 

Seja como contratante principal, subcontratado ou em qualquer ponto da cadeia de suprimentos, manter a conformidade com o DFARS é fundamental tanto para a segurança nacional quanto para o sucesso da sua empresa. A não conformidade pode levar ao cancelamento de contratos, multas governamentais, consequências legais e danos à reputação da sua empresa. 

Existem alguns caminhos para garantir que sua empresa esteja em conformidade com o DFARS, como realizar uma autoavaliação, contratar uma consultoria ou contar com uma plataforma de gestão de riscos na cadeia de suprimentos, como a Z2Data – sim, essa somos nós! Independentemente do seu setor, nossa plataforma flexível, integrada e colaborativa ajuda a alcançar seus objetivos de compliance e ainda apoia em áreas como cadeia de suprimentos, gestão de riscos, supplier insights e muito mais. 

Se você não utiliza uma plataforma ou consultoria e pretende realizar uma autoavaliação por conta própria, é fundamental consultar a NIST Special Publication 800-171A: Assessing Security Requirements for Controlled Unclassified Information (Avaliando Requisitos de Segurança para Informações Não Classificadas Controladas). Apesar do menor custo, alertamos que esse processo pode ser longo e complexo sem os recursos certos, levando de seis a onze meses para garantir plena conformidade. Também será necessário ter um plano rigoroso para manter a conformidade — e monitorá-lo continuamente. 

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