As principais estratégias para implementar IA em sua cadeia de suprimentos

A inteligência artificial avançou rapidamente na gestão da cadeia de suprimentos. No entanto, a forma como uma empresa conduz o processo de implementação dessas novas tecnologias, potencialmente disruptivas, pode impactar significativamente sua eficácia a longo prazo.

As principais estratégias para implementar IA em sua cadeia de suprimentos

A década de 2020 tem sido marcada por instabilidade, transformações e riscos crescentes para as cadeias de suprimentos. Primeiro, a pandemia de COVID-19 provocou o fechamento de fábricas, escassez de suprimentos e congestionamento em portos de contêineres, de Xangai a Los Angeles. Nos anos seguintes, eventos climáticos extremos e conflitos geopolíticos afetaram rotas globais de transporte essenciais, incluindo o Canal do Panamá e o Mar Vermelho, complicando a logística e elevando os custos de transporte para empresas em todo o mundo. Mais recentemente, a intensificação de guerras comerciais, a ampliação de políticas protecionistas e o aumento da fiscalização regulatória vêm adicionando variáveis ainda mais desafiadoras a um cenário de cadeia de suprimentos que já não se parece em nada com os dias relativamente estáveis da década passada.

Para enfrentar esse novo cenário complexo e fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos, as organizações estão recorrendo cada vez mais às possibilidades oferecidas pela inteligência artificial. A mais nova geração de tecnologias de IA (AI), incluindo aprendizado de máquina (ML), IA preditiva e grandes modelos de linguagem (LLMs), é capaz de analisar volumes massivos de dados, avaliar uma diversidade de riscos e fornecer insights valiosos que direcionam a estratégia e a tomada de decisão. Quando empregadas com o nível adequado de expertise e expectativas realistas, essas plataformas de IA podem dar aos profissionais de sourcing estratégico uma ferramenta potente e versátil para navegar com agilidade pelas cadeias de suprimentos voláteis de hoje e pelos diversos riscos inéditos presentes nesse ambiente. 

No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que as organizações desenvolvam uma estratégia multifacetada e cuidadosamente planejada para a implementação da IA.

Por Que as Empresas Precisam de uma Estratégia de IA?

Para compreender plenamente a importância de estabelecer uma estratégia clara para a implementação da IA, vale considerar o cenário oposto. Imagine que um fabricante automotivo adote uma nova ferramenta de IA. O investimento é feito com base na expectativa geral de que a tecnologia de inteligência artificial mais recente ajudará na gestão da cadeia de suprimentos, mitigando riscos e, eventualmente, reduzindo custos operacionais. No entanto, os executivos da organização não elaboraram nem comunicaram uma estratégia de implementação para a nova ferramenta. A equipe de gestão e demais colaboradores ficam sem orientação para adotar a solução de IA e integrá-la ao seu fluxo de trabalho.

Sem um direcionamento claro e um roteiro bem comunicado, esse fabricante automotivo certamente enfrentará grandes desafios. Talvez não haja tempo dedicado ao treinamento do time nem ao desenvolvimento das habilidades especializadas necessárias para operar a plataforma de IA. Diante dessa falta de proficiência, profissionais de compras e especialistas em sourcing estratégico não conseguirão extrair o máximo valor do software, prejudicando a capacidade da empresa de recuperar o investimento inicial e fortalecer efetivamente a resiliência da cadeia de suprimentos. 

Se a organização também não definiu objetivos claros para o uso da IA, a liderança pode ter dificuldade para alinhar expectativas quanto ao uso da plataforma e as metas de seis, doze e dezoito meses do projeto. Os profissionais até podem acessar o software e ter recebido orientações básicas, mas não compreenderão como essa ferramenta se encaixa nas atividades do dia a dia. E, sem uma comunicação consistente e coesa partindo da liderança, os colaboradores dificilmente terão iniciativa para integrar ativamente a IA em suas funções.

A ausência de uma estratégia geral de IA também pode levar ao extremo oposto: adoção apressada e excessiva da solução. Nessa situação, a tecnologia pode se tornar um fator disruptivo e até contraproducente, afastando parte dos funcionários e levando outros a adotarem a ferramenta sem entender plenamente suas limitações. Em ambos os casos, uma implementação apressada da inteligência artificial na cadeia de suprimentos pode trazer muitos dos riscos inerentes a essas tecnologias, ao mesmo tempo em que compromete seus benefícios mais desejados. 

Por outro lado, desenvolver um plano estruturado e estabelecer um processo bem definido para adoção de uma nova solução de inteligência artificial focada na cadeia de suprimentos pode potencializar o valor do software dentro da organização. Implementações cuidadosamente planejadas facilitam a adoção ampla entre equipes e departamentos, incentivam o desenvolvimento de domínio sobre a plataforma e permitem que especialistas comuniquem aplicações estratégicas e limites de uso.  

Estratégias Essenciais para a Implementação de IA na Cadeia de Suprimentos 

Para obter o máximo valor de qualquer tecnologia, fabricantes e demais empresas precisam ter um entendimento abrangente de três fatores: como essa tecnologia funciona; qual valor específico desejam extrair; e como será o processo de integração do recurso nas operações do negócio. As estratégias apresentadas a seguir podem guiar líderes de cadeia de suprimentos rumo ao sucesso nesses três pilares de uma implementação eficaz. 

Definir Objetivos e Responsabilidades

Pode parecer óbvio, até banal, mas um número surpreendente de empresas falha ao definir e priorizar todos os objetivos antes de adotar uma ferramenta de IA. “O primeiro passo é identificar e priorizar todas as oportunidades de criação de valor em todas as funções, desde compras e manufatura até logística e, por fim, área comercial”, explicou a McKinsey & Company em um artigo de 2021 sobre inteligência artificial na cadeia de suprimentos. Na prática, porém, menos de um terço das empresas realizava esse tipo de avaliação inicial, perdendo oportunidades essenciais de “criação de valor”.

Mas lançar as bases de uma estratégia de IA e de seu respectivo rollout vai além de definir a visão geral e os objetivos estratégicos. É também necessário identificar os executivos, gerentes e colaboradores que liderarão o processo de implementação da IA, comunicando expectativas e monitorando o progresso. Ao estabelecer defensores que impulsionem a integração do recurso, as empresas evitam a inércia do status quo. 

Desenvolver Expertise para Otimizar a IA 

Por ser uma tecnologia recente, a IA ainda não apresenta um padrão consolidado entre empresas e plataformas concorrentes. No próprio universo de inteligência artificial para cadeia de suprimentos, já existem soluções especializadas em tudo, desde previsão de demanda e mapeamento da cadeia até manutenção preditiva e avaliações de risco. São modelos de software de nicho, recentes, e praticamente todos na empresa — até mesmo os early adopters mais experientes em tecnologia — precisarão aprender a utilizá-los de modo eficaz. 

Por isso, empresas que investem em IA na cadeia de suprimentos devem desenvolver internamente o conhecimento necessário para extrair o máximo valor da plataforma e treinar outros profissionais para uma operação eficiente. Em situações de maior complexidade e escala de adoção, pode ser interessante contar com consultorias externas. Muitas firmas já estabelecidas têm experiência em transformação digital e começam a atuar como guias para empresas que buscam estratégias sofisticadas de IA e querem superar os principais desafios de integrar uma tecnologia emergente. 

Aplicar uma Gestão de Mudanças Eficaz 

Gestão de mudanças é um conceito já consolidado nas operações empresariais, focado em ferramentas, medidas e processos usados para gerenciar períodos de transição significativos dentro das organizações. O site de negócios BNET define o conceito como “a coordenação de um período estruturado de transição da situação A para a situação B, a fim de alcançar mudanças duradouras na organização.” 

Embora a gestão de mudanças possa ser útil em diversos cenários, ela é especialmente importante quando as empresas estão implementando uma nova tecnologia em larga escala. Segundo o Massachusetts Institute of Technology, medidas específicas comuns nesse contexto incluem “estabelecer e comunicar a justificativa da mudança, construir relacionamentos contínuos, promover comunicação e treinamento dos colaboradores impactados, redesenhar processos de negócio e criar grupos dedicados à gestão do projeto.”

Em outras palavras, a gestão de mudanças é inseparável de uma estratégia eficiente de implementação. Líderes que desejam uma integração tranquila da inteligência artificial na cadeia de suprimentos precisam conhecer as medidas fundamentais de gestão de mudanças e incorporá-las ao rollout da tecnologia. Afinal, integrar uma ferramenta de IA aos processos e fluxos de trabalho da empresa não se resume a impulsionar eficiência e maximizar valor. Também envolve conquistar a equipe — convencer, engajar e, às vezes, até persuadir colaboradores a adotarem a novidade sem que isso comprometa a motivação e o moral. A gestão de mudanças é sensível a esse aspecto, e os líderes que a utilizam de forma estratégica também o serão. 

Usar Dados Limpos e Confiáveis

Como já abordamos em outros conteúdos, as tecnologias de IA mais avançadas lançadas nos últimos anos dependem de uma quantidade massiva de dados para executar suas funcionalidades inovadoras. Esses modelos de inteligência artificial se baseiam nesses inputs para aprimorar o treinamento e desenvolver a expertise necessária para prever demandas, antecipar falhas de equipamentos e até identificar fornecedores de subnível (sub-tier suppliers). O desempenho das ferramentas nesses casos depende diretamente da qualidade dos dados fornecidos. Dados incorretos, incompletos ou “sujos” podem levar essas ferramentas ao erro, gerando recomendações equivocadas ou resultados em que não se pode confiar. 

Diante dessas limitações, fabricantes que implementam inteligência artificial na cadeia de suprimentos devem validar todos os dados estatísticos, documentações e demais informações utilizadas como input para suas soluções de IA. Esse processo de triagem é especialmente importante nos estágios iniciais de adoção, momento em que as impressões formadas podem influenciar a percepção da equipe em relação à tecnologia a longo prazo.

Combinar Inteligência Humana e Artificial 

No início da ascensão do ChatGPT, em 2022 e 2023, muito se discutiu sobre até que ponto plataformas de IA iriam substituir profissionais humanos em diferentes áreas. De fato, essas tecnologias já estão impactando o mercado de trabalho, automatizando tarefas de entrada de dados e funções administrativas — inclusive ameaçando posições mais técnicas, como programação e desenvolvimento de jogos. Mas só porque a revolução da IA está mudando o panorama profissional, isso não significa que as plataformas estejam atuando exatamente como trabalhadores humanos independentes. 

Na prática, ocorre o oposto. Para executar atividades mais sofisticadas e de alto nível, que são cada vez mais exigidas nas cadeias de suprimentos, as ferramentas de IA dependem de gestão e supervisão humana. Apesar de processarem grandes volumes de dados, essas soluções carecem da experiência, conhecimento contextual e habilidades de análise cruzada dos profissionais veteranos. Diante dessas limitações, o papel emergente da IA no gerenciamento da cadeia de suprimentos deve ser visto como colaborativo — trata-se de uma ferramenta que expande a eficiência e a otimização da empresa, mas que exige julgamento humano para corrigir deficiências e pontos cegos.

Alcançar Resiliência na Cadeia de Suprimentos em um Período Turbulento 

Poucos anos após o início da chamada revolução da IA, empresas dos Estados Unidos já adotam soluções de inteligência artificial para cadeia de suprimentos em ritmo acelerado. Um estudo recente conduzido pela Capgemini mostrou que mais de dois terços das organizações do setor utilizam IA para rastreabilidade e visibilidade. Setenta por cento dos fabricantes, por sua vez, utilizam essas soluções para manutenção preditiva. O movimento por trás dessa urgência em desenvolver uma estratégia de IA para a gestão da cadeia de suprimentos vai muito além do fascínio por uma tecnologia “inovadora” ou do medo de ficar para trás durante uma transformação do setor. Profissionais de sourcing e compras atuais navegam um campo dinâmico e complexo, sujeito a inúmeros riscos, e precisam de inteligência acionável e dados relevantes como nunca. 

Fabricantes e outras empresas que buscam tecnologias de alto impacto realmente adaptadas à realidade das cadeias de suprimentos encontram grande valor em ferramentas que promovem resiliência. A plataforma líder de SCRM Z2Data, por exemplo, oferece um conjunto de funcionalidades interligadas que auxiliam negócios a ampliar sua visibilidade, sustentabilidade, compliance e gestão de riscos. Combinando expertise humana, inteligência artificial e bancos de dados proprietários robustos, Z2Data oferece aos clientes insights substanciais que ajudam a minimizar ameaças, maximizar a transparência e conquistar maior controle sobre suas cadeias de suprimentos. 

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